terça-feira, agosto 09, 2016

O BRASIL NAS OLIMPÍADAS..




O BRASIL NAS OLIMPÍADAS...

Calfilho


           Hoje, terça feira, dia 9 de agosto, chegamos ao quinto dia das Olimpíadas realizada no Rio de Janeiro. 
          Inaugurada na última sexta, com uma belíssima festa de abertura (apesar de já ter havido uma partida de futebol na quinta), que nos deixou orgulhosos com a belíssima apresentação exibida para o mundo inteiro e recebendo elogios da quase unanimidade da imprensa internacional, o Brasil conseguiu até agora apenas uma medalha de ouro e outra de prata, estando em 11º. lugar na classificação geral.
        É pouco, muito pouco. Não por sermos os anfitriões da competição, mas porque o esporte brasileiro há muito tempo vem sendo relegado a uma posição de mero participante em competições internacionais.
           Enquanto nos países ditos como desenvolvidos, desde a tenra infância, as crianças são acostumadas a praticar um ou vários esportes, aqui no Brasil nossa cultura esportiva limita-se ao futebol e, muito timidamente, à natação e vôlei.
         Naqueles países, nas escolas de segundo grau (as "high schools" americanas ou os "lycées" franceses, apenas para citar dois exemplos), os estudantes aprendem, desde cedo, a prática de diversas modalidades esportivas, havendo diversas e disputadas competições entre elas e, quando chegam à faculdade, especializam-se em uma ou algumas dessas modalidades. Assim surgiram um Marc Spitz, um Michael Phelps, um Carls Lewis e tantos outros.
         No Brasil, isto não acontece. As escolas de primeiro e segundo grau pouca importância dão aos esportes e, nas faculdades, praticamente eles inexistem.
            Aqui, se alguém tem alguma habilidade esportiva tem que procurar um clube e nele desenvolver o dom com que foi agraciado.
            Lembro-me perfeitamente que, na minha época de Liceu, nos anos 50 do século passado, as aulas de educação física, que eram obrigatórias, limitavam-se a uns breves 15 minutos de ginástica. Somente isso, nada mais. Marcava-se a presença e pronto. Apesar de que no Liceu existiam uma quadra de basquete, outra de vôlei, um campo de futebol, uma pista de atletismo e um "cavalo de pau".
           Guardados numa salinha do pátio, a sala do "seu" Azer, bolas de "medicine ball", cordas e outros aparelhos de ginástica. Nunca foram usados, as quadras nunca foram utilizadas. Somente quando assumimos o Grêmio do Liceu (eu, Carrano, Irapuam, Josa, João Bonvini, entre outros) foi que conseguimos movimentar um pouco o departamento esportivo. Promovemos jogos de futebol de salão, criamos as equipes de vôlei masculino e feminino. Quando fomos disputar jogos em Angra dos Reis e Cachoeiro do Itapemirim, nossos representantes em esportes como natação, tênis de mesa, basquete e polo aquático  eram alunos que frequentavam clubes como o Canto do Rio e o Regatas e onde praticavam esses esportes.
            Passado tanto tempo, a educação física em nossas escolas continua a mesma, não acredito que tenha melhorado. Nas faculdades creio que continua a não existir. 
             Assim, sem formar o atleta desde criança, como iremos ter sucesso em Olimpíadas? Somente um caso aqui, outro ali, a maioria em esportes individuais, conseguimos uma medalha esporádica.
            Somente o vôlei, tanto o masculino como o feminino, que teve grande desenvolvimento de duas décadas para cá, proporciona-nos alguma alegria. No basquete, caímos rapidamente, perdendo a posição que ocupávamos nos anos 60. No futebol olímpico, nossos jogadores com idade inferior a 23 anos, quase todos já jogam em seus times principais, no Brasil ou na Europa, e parecem pouco comprometidos na disputa de uma medalha. Salva-se ainda, por ser quase amadora, a seleção feminina, que luta para conseguir um lugar de destaque entre os esportes brasileiros.
        Se não implantarmos uma política de massificação dos esportes desde os sete, oito anos de idade, com seriedade e investimentos necessários, vamos continuar a ser, apenas, mero participantes dos Jogos Olímpicos. Veja-se o exemplo da China, país de terceiro mundo como nós, com uma população enorme e que massificou a educação esportiva entre suas crianças e rapidamente alcançou o "status" de potência mundial. O que dizer da Jamaica, pequeno e pobre país, mas que nos proporciona "shows" no atletismo? Ou de alguns paupérrimos países africanos que nos brindam com excelentes atletas também no atletismo?
               Quando iremos acordar?

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