quarta-feira, março 04, 2015

A MAGIA DE PARIS 9

 
 
 
A MAGIA DE PARIS
 
 
 
 

Nona parte


Inválidos, Museus do Exército, Rodin e Orsay.

Calfilho
 
 
 
 
                   Vamos pegar o ônibus 82, no Boulevard Saint Michel, ao lado do Jardim de Luxemburgo, quase em frente ao chafariz da praça Edmond Ronstand. Ali é o ponto final, não há o que errar.
                    Os ônibus em Paris têm afixado, em cada ponto, o horário de passagem por ali. Como eles têm um corredor específico só para eles (que lá é rigorosamente respeitado), poucas vezes eles se atrasam. Parar fora do ponto, nem pensar, pode-se fazer sinal à vontade com a mão ou pedir ao motorista que pare um pouco antes ou depois do ponto. Eles simplesmente ignoram o pedido.
                     Antes, descemos as escadas até a estação do RER, do outro lado do Boulevard Saint Michel, em frente ao referido ponto de ônibus, e compramos um carnet com dez tickets. A passagem poderia ser paga diretamente ao motorista, mas é preferível comprar os bilhetes se pretendemos fazer mais de uma viagem.
                       Entramos pela porta da frente, validamos ("composter" é o verbo em francês) o bilhete, achamos um lugar para sentar. No ponto final, isso é fácil, o veículo ainda está vazio. Mantemos o bilhete validado conosco até descermos onde desejarmos.
                        Iniciamos nossa viagem que hoje será metade de ônibus, metade a pé. O 82 contorna parte do Jardim de Luxemburgo, vai até Montparnasse, passa pelos restaurantes famosos ("Le Dome", "La Coupole"), passa em frente à Torre de Montparnasse, segue até os Inválidos, prédio imponente, com a cúpula dourada. Descemos, vamos comprar os bilhetes na boutique do lado esquerdo.

Les Invalides
Voltamos até a porta principal dos Inválidos. Lá dentro, no centro, no subsolo, está, imponente, o túmulo de Napoleão.
Ainda no interior dos Inválidos divisamos vários monumentos em homenagem a comandantes e generais franceses.


Les Invalides vista aérea


         Túmulo de Napoleão




 
      Já do lado de fora, continuamos pelo lado esquerdo do prédio dos "Inválidos" e vamos alcançar o "Musée de l'Armée" (Museu do Exército). É uma visita bem interessante pois tem peças, gravuras e pinturas do exército francês, inclusive com apresentações audiovisuais de fatos das primeira e segunda guerras mundiais. Pode-se comprar o bilhete conjunto para visitar o túmulo de Napoleão e o Museu do Exército.
       Abro aqui outro parêntese: tenho dito várias vezes que a visita a museus ou monumentos de Paris é paga, isto é, deve-se comprar o ingresso antes de entrar. Mas, tal como o metrô e os ônibus, se você pretende ficar alguns dias seguidos em Paris e neles visitar vários museus ou monumentos, o recomendável é comprar um passe (o "Paris museum), que se vende em tabacarias ou em alguns dos museus da cidade. Com ele você pode entrar diretamente no museu ou monumento que pretende visitar, sem filas (na maioria das vezes), e por um preço bem menor daquele cobrado pelo ingresso avulso. Realmente, nos períodos de alta estação, as filas, tanto para comprar o ingresso como para entrar no local a ser visitado, são imensas. Esses passes evitam a primeira fila (a da compra do ingresso) e, normalmente, também evitam a segunda (a da entrada no local). Como os passes de metrô eles devem ser utilizados em dias seguidos, não intercalados.
          Após a visita ao Musée de l'Armée, voltamos até a avenue de Tourville (em frente ao prédio principal dos Inválidos), dobramos na primeira rua à esquerda (Boulevard des Invalides) e, em seguida, entramos à direita, na primeira rua,  a rue de Varenne. Logo que entramos nessa rua, do lado direito, está o Museu Rodin. Ali era a residência do escultor (tinha uma outra, fora de Paris), hoje é o museu que abriga suas obras. Após passarmos pelas roletas de entrada, chegamos a um espaçoso jardim, onde, ao fundo, do lado esquerdo, está a obra "PORTAS DO INFERNO". Do lado direito, existe uma réplica do "PENSADOR", cujo original

Portas do Inferno
está no interior da casa. Ali, são dois andares a serem visitados, onde estão expostas várias esculturas de Rodin, além de outras de Camile Claudel (há um filme sobre ela, com Isabelle Adjani), que foi aluna e amante do escultor. Existem várias esculturas de Balzac, que foi amigo de Rodin e, por incrível que pareça, algumas pinturas de Van Gogh.
                Bem, se ainda estivermos com fôlego suficiente e nossas pernas aguentarem, depois de deixarmos a casa de Rodin, seguimos pela rua de Varenne até alcançarmos a rua de Bellechasse (são quatro ou cinco quarteirões). Ali, dobramos à esquerda e após caminharmos mais outros quatro ou cinco quarteirões pela Bellechasse, chegamos à margem do Sena, onde está localizado o Musée d'Orsay.
               Esse extraordinário museu (o que mais admiro em Paris) era, originariamente uma estação de trem, ainda em funcionamento quando estive na cidade em 1957, a estação de Orleans. Depois de sua desativação foi transformada em museu, que hoje abriga a grande maioria das obras dos pintores impressionistas.
               No último andar, o quinto (há um elevador nos fundos do museu), você vai-se deliciar ao apreciar as melhores obras de Edouard Manet, Claude Monet, Jean-Pierre Renoir, Paul Cézane, Sisley, Degas, Toulouse Lautrec e tantos outros que fizeram do impressionismo o movimento artístico mais importante do final do século XIX. Vincent Van Gogh também tinha suas melhores obras expostas no quinto andar do Orsay. Mas, sua importância aumentou tanto que hoje elas estão, exclusivas, num espaço próprio, do lado direito, no segundo andar.
                 Orsay, realmente, é extraordinário, incomparável. Enquanto o Louvre, do qual falaremos em outra oportunidade, é grandioso, monumental, Orsay é simplesmente formidável. Vale a pena (e como vale) enfrentar as filas gigantescas que se formam do lado de fora para conseguir entrar nesse tesouro de arte. Por isso, quem for ficar alguns dias seguidos em Paris, aconselho comprar o "Paris pass museum", pois só terá que enfrentar a fila de entrada.
                  Abstenho-me de colocar aqui algumas fotos de quadros célebres que se encontram no Orsay, pois entendo que arte tem que ser vista de frente, com os olhos bem atentos para os menores detalhes que o artista quis expressar quando construiu sua obra.
                Ver um quadro ou uma escultura de um mestre das artes através de uma simples fotografia talvez possa ser comparado a beber uma caipirinha sem limão...