quinta-feira, julho 05, 2018

DESALENTO...


DESALENTO...

Calfilho





           Reconheço que, ultimamente, talvez a preguiça me tenha alcançado e me tenha tirado um pouco o prazer de escrever. Não é falta de inspiração não, pois as ideias continuam povoando meu cérebro. Só não sinto vontade ou talvez mesmo alguma satisfação pessoal de colocá-las no papel. Quando vejo diariamente, nos jornais, na televisão ou até na internet, tanta coisa idiota ser jogada dentro de nossas casas, é que sentimos a dimensão de nossa incapacidade em tentar produzir algo de útil, algo que realmente faça a diferença em nosso pobre Brasil.

          Vivemos hoje um período de radicalismos... Só determinados grupos, ou até mesmo somente determinadas pessoas é que são as donas da razão, só elas é que estão certas, todos os outros membros da sociedade estão errados, são umas “bestas”.

          Em plena época de Copa do Mundo, festa do futebol mundial que só se repete de quatro em quatro anos, apenas três emissoras de televisão transmitem o evento para o Brasil. Duas da poderosa Rede Globo, uma do Canal Fox. O poder do dinheiro falou mais alto...

         Todas as três transmissões, no meu modesto entendimento, são simplesmente ridículas. Os locutores, os comentaristas, os repórteres de campo tranquilamente poderiam estar trabalhando em qualquer programa humorístico que ninguém perceberia a diferença. Transmitem uma partida de futebol como se fossem torcedores, como se os telespectadores não estivessem assistindo a partida ao vivo...

             O histerismo do tal de Galvão Bueno quando narra um gol da seleção brasileira é realmente algo que deve ser explicado por algum psicólogo ou psiquiatra. Indivíduo simplesmente ridículo, que se acha o melhor narrador do mundo, arrogante e prepotente, considerando-se o dono da seção de esportes da poderosa Globo.

          Pior que o “é gol, é gol, é gol...” dele, infelizmente é seguido com algumas pequenas variações pelo Luiz Roberto, pelo Luiz Carlos e pela “batiiiida” do Milton Leite, do Sport-TV, todos invenções da “poderosa”. Também criaram um tal de Jáder Rocha, que erra constantemente o nome dos jogadores, chegando inclusive a gritar no gol da Colômbia contra a Suíça, que o autor seria o Davidson, repetindo erradamente o grito, e só depois que veio o “replay” mostrando que a cabeçada fora do Mina é que se corrigiu... Na Fox, o obeso João também é duro de aguentar... “Muito desagradável...” Pior que grande parte desses "grandes" locutores todos estão na Rússia, transmitindo diretamente os jogos da Copa... fazendo o quê, não sei...

        A poderosa Globo, através do badalado André Rizek, que também se considera um comentarista de primeira, irritou-se quando um transeunte russo tentou dar um beijinho em uma de suas repórteres que fazia uma entrevista de rua. O Rizek, profundamente ofendido, esbravejou contra o pobre do russo, chamando-o de machista e acusando-o de assédio sexual. Só faltou invocar a lei Maria da Penha, que, felizmente, não tem vigência em território soviético... Como se os russos não fossem conhecidos por gostarem de trocar beijos entre eles, sejam homens ou mulheres... Mas, a toda poderosa Globo quer impor seus costumes na terra dos outros, ditando-lhes normas de conduta... Um gesto de carinho, de simpatia, foi considerado pelo comentarista como assédio sexual...

          Aliás, não sei o que algumas narradoras de telejornais foram fazer na Rússia, cobrindo uma competição mundial de futebol, matéria que, evidentemente, não é a especialidade delas. A tal de Sandra Anemberg, então, é simplesmente risível, fazendo a toda hora, caras e bocas na telinha da TV... Ri por qualquer coisa, dá palpite em tudo, não mantém a sobriedade exigida de narradora de um telejornal. A outra, a Renata Vasconcellos, companheira do almofadinha Bonner no Jornal Nacional, da Globo, também foi para a Rússia dar seus pitacos na Copa do Mundo... deve ser uma excelente comentarista do esporte bretão... Antes que me acusem de machismo, também não sei o que o Burnier, repórter de noticiários da Globo, foi fazer em solo russo...

          Os comentaristas também são de uma mediocridade irritante... Aguentar Júnior, Casagrande, Escobar, Caio Ribeiro, Petckovic, Edmundo, Paulo Vinicius Coelho é dose para elefante... Quando algum comentarista mais lúcido e independente tenta dar sua opinião, eles logo o despedem, como aconteceu com o brilhante Juninho Pernambucano...

            Nos dias atuais, só o “politicamente correto” sobrevive... Em qualquer atividade humana... No futebol, as entrevistas de técnicos e jogadores antes ou após os jogos são sempre as mesmas: “estamos focados no adversário, vamos dar tudo de nós para ganharmos o jogo; “treinamos forte durante a semana, o grupo está fechado, temos certeza de que vamos virar o resultado”; “o gol do outro time saiu de uma bola parada. Vamos treinar mais, levantar a cabeça para o próximo jogo”; “ o juiz prejudicou o nosso time, os gols do adversário saíram de bolas paradas”...

           Como se “as bolas paradas” não fizessem parte de um jogo de futebol, como se o adversário não pudesse marcar um gol cobrando uma falta ou um penalty...

           Aliás, essa mania do “politicamente correto” adotada por nossa mídia, na televisão ou na internet, talvez seja uma das principais razões que me desanimam de escrever alguma coisa, pois sei que, escrevendo ou não, o efeito será o mesmo: tudo vai continuar como está, nada vai mudar... Uma opinião sensata, equilibrada, não terá nenhuma repercussão diante de outras tão extremadas ou radicais... é capaz de dizerem que estamos vivendo num país de sonhos e fantasias...

        Abstenho-me de comentar as decisões da Segunda Turma do STF, pois elas, além de desprestigiarem o trabalho cansativo e produtivo dos juízes de primeira instância, geralmente confirmados pelos tribunais de segundo grau (o que era rotina nos meus tempos de magistratura), causam perplexidade em todo o povo brasileiro...

            Talvez sejam “politicamente corretas”...


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