quarta-feira, julho 19, 2017

BOTAFOGO... ANOS 60... OU 2017?




BOTAFOGO... ANOS 60 OU 2017 ? ...

Calfilho



            Não me tenho pronunciado sobre as últimas atuações do meu time, o Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas... Prudência e pés no chão ... Empolguei-me com algumas atuações, decepcionei-me com outras ... Vibrei com determinadas atitudes e desempenhos de alguns jogadores em campo, aborreci-me com algumas outras...
            Tenho plena consciência de que a equipe não é das mais fortes, aquela entre as de melhor elenco do atual futebol brasileiro... time mediano, com um ou outro jogador melhor que o outro, recheado de jovens e promissores atletas da base, alguns ainda mal saídos da adolescência, outros ainda menores de idade...
            O elenco é reduzido, enxuto, para não dizer insuficiente para enfrentar um ano de competições... ainda mais que elas são três: Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro... Mas, aos trancos e barrancos, ganhando aqui, empatando ali e perdendo acolá, o time, até agora, julho de 2017, vem conseguindo manter-se vivo nas três... Jogos sofridos, vitórias magras com diferença de apenas um gol, o que deixa o torcedor alvinegro com o coração nas mãos até o juiz apitar o fim do jogo...
             Não adianta ficar relembrando os tempos gloriosos do final dos anos 50, início e fim da década de 60 do século passado... Quando na verdade tínhamos equipes que nos enchiam de orgulho e contentamento ao presenciarmos suas exibições de gala nos estádios do mundo inteiro... Não temos mais Manga, Cacá, Zé Maria, Nilton Santos e Rildo; Pampolini e Didi; Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Ou Cao, Mura, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto e Gérson; Rogério, Roberto, Jairzinho e Paulo Cezar... Passeávamos em campo, exibindo um futebol de primeira categoria, não dávamos sustos em nossos torcedores, pois a vitória era sempre (ou quase sempre) praticamente certa... Só tínhamos o Santos de Pelé como real adversário dentro do Brasil... Éramos a equipe que mais jogadores fornecia para a seleção brasileira...
             Mas, o tempo passou, administrações desastrosas levaram o clube ao estado pré-falimentar, a sede de General Severiano, de tantas histórias e tradições, foi vendida, a muito custo recuperada, a equipe de futebol passou pelo vexame de ficar 21 anos sem ganhar um mísero título carioca... Visitou por duas vezes a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, era mero coadjuvante quando participava da série A... Excetuou-se o título de 1995, episódico, conquistado com uma equipe mediana...
             Hoje, depois de passar outra vez pela segunda divisão após uma lamentável administração de um presidente fanfarrão e que deixou o clube arrasado, volta, outra vez, ao cenário de protagonista dos campeonatos regionais, nacionais e internacional... Com uma equipe que, apesar de não ter nenhum grande craque em suas fileiras, conseguiu conjugar um futebol solidário e de entrega absoluta e, com isso, estar disputando as três mencionadas competições... E, tudo isto, sofrendo com vários casos de contusões, com suspensões infantis (calma, muita calma,  Carli e Bruno Silva...), com a perda de jogadores importantes (como Montillo, Sassá e, agora, Camilo) e tendo que lançar mão prematuramente de jogadores da base, ainda não suficientemente amadurecidos para o time titular (exceções: Igor Rabello e Matheus Ferandes).
              O time atual é limitado, já disse anteriormente. Não tem reservas à altura dos titulares. Joga numa tática de contra ataque, já adotada por Zagallo quando foi nosso treinador nos anos 67 e 68 do século passado. Aposta na solidez da sua defesa, na segurança do seu meio campo e na velocidade de Pimpão, Roger ou Guilherme para vencer seus jogos pela diferença mínima de um gol. É pouco, muito pouco... Às vezes, a tática funciona, outras não... De tanto sermos atacados, de tanto jogarmos em nosso meio campo e defesa, acabamos levando um gol nos minutos finais . “Água mole em pedra dura...”.
             Até onde irá esse Botafogo de 2017? Até onde os velhos e novos corações alvinegros aguentarão o sofrimento de finais de partidas?
             
                 Vamos torcer... FOOOGOOOO!!!



quarta-feira, julho 05, 2017

VIAGENS... UM POUCO MAIS DA FRANÇA ... (2)

VIAGENS... UM POUCO MAIS DA FRANÇA...

ST. MALO E CANCALE

Calfilho




           Voltei, outra vez mais, a visitar Saint Malo, na Bretanha. 
         Já disse anteriormente que é a segunda cidade francesa de que mais gosto. Seja pela originalidade de estar cercada por enormes muralhas (os remparts), seja porque tem uma característica muito especial que a distingue das demais cidades francesas: ter sido o berço dos piratas que povoavam os mares nos séculos XVII e XVIII. Já deve ser a nona ou décima vez que passo alguns dias na cidade, nunca me cansando de admirá-la.
      Pegamos o TGV (trem de alta velocidade) na estação de Montparnasse, no dia 22 de maio último. Em pouco mais de três horas chegávamos à cidade. Ficamos hospedados no Hotel Cartier, dentro das muralhas, bem perto da entrada principal das mesmas, a Porta St. Vincent. Almoçamos no já conhecido restaurante Lion d'Or, ali perto.
         Além do tradicional passeio pelas estreitas ruas da cidade, onde podemos apreciar várias lojas exibindo mercadorias da cultura local, desta vez decidi fazer uma volta completa no alto dos "remparts". Extraordinária a visita. Tem-se uma visão de 360 graus da região, passa-se pela estátua de Duguay-Trouin, o célebre pirata francês que invadiu o Rio de Janeiro no 17 e aqui tentou fundar a França Antártica. Vê-se, também, a pequena ilha onde está enterrado o famoso poeta Chateaubriand, que conhecemos com dona Estefania, nossa professora de francês no Liceu.




                                  Os "remparts" de St. Malo



                                         Duguay-Trouin


                                  Túmulo de Chateaubriand

No dia 24 decidimos ir até Cancale, meio caminho entre St. Malo e o Monte St. Michel (considerado uma das Sete maravilhas do mundo). Já havia passado por lá algumas vezes, quando fui até o Monte St. Michel, levando, em cada vez, filhos, neto, amigos. Nunca havia descido para conhecer a cidade. Pegamos o ônibus número 5 na gare da SNCF (Societé Nationale des Chemins de Fer) e, em pouco mais de 30 minutos estávamos na cidade. Ela fica numa falésia, por isso tem a parte alta e a baixa, esta junto ao mar. Descemos na parte alta, ponto final do ônibus, numa pracinha onde fica a igreja da cidade.


                                         Igreja de Cancale
Acabamos dando um passeio pelos arredores da cidade, até chegarmos à parte baixa, próxima ao mar. Aí, constatamos a veracidade da fama que goza, como a "cidade das ostras". Por todo o canto, em barraquinhas, ao longo de um embarcadouro, nos diversos restaurantes, a ostra predomina.  As pessoas as degustam ao ar livre, deliciando-se com sua qualidade, Além disso, do alto já divisáramos os vários canteiros de criadouros do molusco famoso no mundo inteiro.



                                       Criadouros de ostras


                                              Mais ostras...

           
Voltamos a St. Malo ainda a tempo de almoçar num dos vários restaurantes locais... Achamos o bar desse "monsieur" acima que apareceu numa reportagem da TV-Globo sobre a Normandia há 5 meses atrás... E, ele logo gritou quando me viu com a camisa do Botafogo: FOOOGGGOOO... Morou algum tempo no Rio (e, é claro, escolheu o melhor time para torcer)...

                                   Francês botafoguense

             Não deixem de visitar St. Malo se viajarem para a França... O país não é só Paris, que apesar de ser extraordinária, não é a única cidade a ser visitada...






segunda-feira, julho 03, 2017

VIAGENS... MAIS UM POUCO DA FRANÇA...



MAIS UM POUCO DA FRANÇA... 

AINDA PARIS



Calfilho




            Já comentei, em publicações anteriores, vários aspectos das paisagens e belezas francesas. Mas, como todo  turista sabe, sempre que você volta a um lugar de que gosta muito, por mais que você o tenha visitado a fundo, sempre existe alguma coisa nova para descobrir...
                        Assim aconteceu comigo, mais uma vez...
               Já me considero um brasileiro que conhece razoavelmente bem a França (culpa do meu pai), principalmente Paris e algumas regiões francesas. A vida me proporcionou (mais que a ele) lá voltar várias outras vezes depois da primeira viagem em fevereiro/março de 1957, quando tinha 14 anos de idade.
                    Desta vez, em abril deste 2017, depois de uma agradável viagem de 21 dias no navio MSC PREZIOSA, a partir de Santos e término em Hamburgo, na Alemanha, com uma passagem ainda pelas cidades alemãs de Berlim e Colônia. Desta última pegamos mais outro trem de alta velocidade até à minha já velha conhecida Paris. O trem é o Thalys, que liga parte da Alemanha, a Holanda e a Bélgica a Paris. É um trem bem moderno, pintado de vermelho escuro.



Thalys



         Já havia reservado, no próprio trem, um taxi que nos conduzisse ao hotel, tendo em vista que trazíamos duas malas maiores e uma menor, bagagem um pouco maior que a habitual devido aos 21 dias do navio.
           Logo chegamos ao ambiente conhecido do 5ème, o Quartier Latin. Deixamos as malas no quarto do Hotel Mercure Notre Dame e fomos almoçar num restaurante tunisiano ao lado.
Meu filho e nora vieram nos encontrar por volta das 7 da noite, quando saímos para jantar.
              Seria cansativo repetir aqui os locais já visitados em Paris que relatei em crônicas anteriores. Quero, apenas, assinalar que, passeando pelos Halles (o antigo mercado de Paris, hoje demolido), encontrei uma igreja muito bonita que ainda não havia visitado em viagens anteriores. Por isso, disse, cada viagem é uma nova fonte de descobrir coisas diferentes, mesmo que já tenha visitado o local várias vezes. Dessa vez, foi a igreja de Saint Merri (pouquíssima conhecida por turistas), encravada na confluência das ruas Saint Martin e Verrerie, no 4ème arrondissemente. Muito bonita realmente, e, infelizmente (ou felizmente) pouco badalada. Vale a pena conhecer.



  Igreja de Saint Merri

                Junto com meu filho e minha nora (ele está fazendo um curso de aperfeiçoamento em Paris, físico astrônomo que é), ainda revimos o Marais, a igreja de Sacré Coeur e a Place de Tertre, a rue du Mouffetard (deliciosa, como sempre, principalmente aos domingos), o ambiente do Quartier Latin.




domingo, maio 14, 2017

VIAGENS...COLÔNIA E KOBLENZ...

VIAGENS...

 COLÔNIA E KOBLENZ.

..
Calfilho

           Depois de cinco dias em Berlim pegamos novamente um ICE (trem rápido alemão) e fomos para Colônia (Köln). Decidi incluir essa cidade no meu roteiro, primeiro porque está no meu caminho para Paris, cidade onde vou pegar o avião de volta para o Rio de Janeiro; depois, porque ouvi muito falar da beleza da catedral da cidade, considerada como uma das mais bonitas do mundo.
            Foram mais de quatro horas de viagem e, quando deixamos a estação principal de trens, procuramos localizar nosso hotel já reservado. Mas, logo que chegamos na praça fora da estação, do lado esquerdo lá estava ela, majestosa e imponente, como a havia visto em várias fotografias.
Catedral de Colônia

Deixamos as malas no hotel e saímos para almoçar. Já eram quase três da tarde. Logo achamos um bom restaurante, sendo que a cidade é bem diferente de Berlim: alegre, viva, muita gente na rua, principalmente em volta da Catedral. Aliás, Colônia deve ter crescido a partir da Catedral, que fica encravada na praça principal da cidade.
Visitamos seu interior que, apesar de imponente, não tem nada de extraordinário, parecido com a parte interna de várias outras catedrais que visitei.

Na manhã seguinte pegamos um trem regional que, depois de uma hora e quarenta minutos de viagem, parando em mais de 15 estações, levou-nos à cidade de Koblenz. Essa visita foi feita seguindo indicação de meu dentista que me disse ser ela muito interessante. Comprei a passagem de ida
 e volta ainda no Brasil, mas não sabia nada sobre ela.
O interessante é que a ferrovia praticamente segue ao lado do rio Reno, largo e muito longo, com várias cidades plantadas em ambas as margens.
O Reno é navegável e nele vimos várias embarcações transportando carga e alguns barcos de turismo.




Rio Reno

Chegando em Koblenz, tateamos um pouco até chegarmos ao centro da cidade. Fomos seguindo as placas que indicavam o caminho.
A cidade não é grande, mas tem um centro bastante movimentado, mesmo para um dia de sábado. Rua de pedestres, várias lojas, muita gente na rua. Como sempre muitas lanchonetes e fast-food. Alguns belos castelos e igrejas.


KOBLENZ





Voltamos a Colônia no início da tarde e fomos almoçar numa típica cervejaria alemã, ao lado da Catedral e em frente à estação de trem e nosso hotel. O time de futebol local jogava contra o Bayern Leverkusen, e tanto a estação como a cervejaria estavam cheias de torcedores uniformizados, cantando alegremente as canções do time. 



Hoje, na parte da manhã, fizemos um city-tour num ônibus de turismo. A cidade expandiu-se para outras regiões, também muito arborizadas, com muitas praça e jardins. Mas, distante da praça da Catedral, quase não vi movimento. Pode ser que sendo domingo...
Tiramos mais algumas fotos da Catedral e já estamos preparando as malas para viajarmos amanhã para Paris....

A catedral é, realmente, a atração maior da cidade. Foi quase totalmente destruída após os severos bombardeios dos aviões aliados na Segunda Guerra Mundial, mas, hoje, restaurada, compara-se em beleza arquitetônica àquelas de Milão, Estrasburgo, Chartres e São Estevão (Viena), reconhecidas mundialmente como verdadeiras obras de arte arquitetônica.
Achei Colônia mais interessante que Berlim, quase comparando-se a Hamburgo, até
 agora minha cidade alemã preferida.

VIAGENS ... BERLIM 2

VIAGENS... BERLIM 2...


Calfilho

           Nos segundo e terceiro dias em Berlim, pegamos um daqueles ônibus de turismo que fazem um city-tour pela cidade... Lógico, em cada dia, um trajeto diferente para termos uma visão mais ampla de Berlim. Esses ônibus são bem interessantes, principalmente para quem visita a cidade pela primeira vez. Deles se tem uma noção dos bairros, do movimento da população, dos monumentos e locais importantes a serem visitados com calma psteriormente.
            Por isso, de um deles descemos na Alexander Platz, tida como uma das principais praças da cidade. Grande, toda cimentada, com várias lojas de departamentos (tipo HM, CA, Saturno, etc...), muitas lanchonetes e pouquíssimos restaurantes. Entramos num deles e consegui comer um bom filé com fritas. Não me empolgou a Alexander Platz. Já vi melhores.

Alexander Platz

Nosso ponto principal de parada quando voltávamos para o hotel no fim da tarde continuava sendo a lanchonete Zanetis, onde trabalhava o garçon brasileiro, o Marcelo. Ali sentávamos um pouco, eu tomava uma taça de vinho e voltávamos para o hotel.
No quarto dia, fizemos mais uma vez o trajeto hotel/ estação de trem/ Portão de Brandenburgo, de onde acessamos a rua Unter Der Linden, que eu já havia lido ser uma das mais importantes de Berlim. Realmente, é uma avenida muito comprida e larga, bastante arborizada, com algumas lojas em ambos os lados, mas... com poucos restaurantes. Nela se encontra uma das filiais do famoso museu de cera Madame Toussaud.
Depois de vários quarteirões, quase no final da avenida, onde existem vários museus, deparamo-nos com a magnífica catedral de Berlim, muito bonita.



Catedral

Da janela de um dos ônibus do city-tour pudemos ver alguns trechos do que restou do famoso muro de Berlim.

Muro


Finalmente, no nosso último dia da cidade, depois de refazermos o trajeto a pé até a Catedral, seguimos em frente e acabamos chegando num local que achei muito interessante da janela do ônibus. Ali existem muitos restaurantes, praticamente um ao lado do outro, o local tem muito movimento, muitos turistas falando línguas diversas. Ali está a mais antiga estação de metrô de Berlim: a Hackescher Markt.


Hackescher Markt

Finalmente, uma imagem do Portão de Bradenburgo no fim da Segunda Grande Guerra

Portão de Bradenburgo, após os bombardeios.

Resumindo: achei Berlim muito bonita, com enormes jardins, bastante arborizada, largas e compridas avenidas. Mas, ainda é uma cidade em reconstrução. O povo, apesar de simpático, não me pareceu ser alegre. Todo mundo anda apressado, poucos sorrisos nos lábios. Sei lá, pode ter sido minha impressão, mas parece que a população ainda não conseguiu libertar-se do fantasma da Segunda Grande Guerra Mundial.






             
            

sexta-feira, maio 12, 2017

VIAGENS.. (Berlim)

                  VIAGENS ... BERLIM...


Calfilho
        
           Depois de quatro dias em Hamburgo, muito agradáveis por sinal, pegamos um trem para Berlim. Menos de duas horas de viagem num ICE, trem rápido, semelhante aos TGVs franceses.
           Chegamos ao hotel, ao lado da estação principal (a Hauptbahnhof), por volta de 13 e 50, aproximadamente. 
              A estação é muito grande, com várias entradas e andares. Os trens de longa distância geralmente  chegam e partem do subsolo 2 (tief). Ali existem muitas lojas de departamentos, muitas lanchonetes e praticamente só um restaurante, o Valpiano, na sobreloja, mas tipo self-service, e com um complicado sistema de atendimento. Acho que vc. tem que pegar um cartão no caixa, depois escolher o que quer comer e levar o prato para uma das várias mesas existentes no local. Não sei quem te serve bebida, pareceu-me muito semelhante a alguns restaurantes existentes no Rio, tipo comida a kilo, coisa que rejeito e passo longe só de ver.                Não comemos no Valpiano...
               Pelo menos achamos uma lanchonete com lugares para sentar e um garçon veio nos atender. Tentei pedir alguma coisa em inglês, mas ele logo disse:
      -- Falo um pouco de espanhol, mas sou brasileiro...
      Conversamos um pouco enquanto ele nos servia duas espécies de pizza e um copo de vinho.
       Era de Santa Catarina, estava na Alemanha há quatro anos. Ralava muito, doze horas diretas de trabalho, uma folga aos sábados. Disse-nos que ali, nas imediações da estação seria difícil encontrar um restaurante. Só lanchonetes, mesmo assim sem atendimento nas mesas (como em Londres, lembrei-me logo).
         Despedimo-nos e fomos andar um pouco, caminhando em direção ao Portão de Brandenburgo, que sabia ser perto dali, seguindo algumas orientações que pesquisara anteriormente.
          Realmente, após atravessarmos o Spree (o rio que corta a cidade), logo visualizamos o prédio do Reichstag, o famoso Parlamento Alemão, que foi incendiado em 1934 (por aí, não sei a data certa) a mando de Hitler, que culpou os comunistas pelo incêndio. Dessa forma, dissolvendo o Parlamento, prendendo e exilando aqueles que lhe faziam oposição, Hitler acabou chanceler alemão.

Reichstag
   
Brandenburgo

Um pouco mais à frente, à esquerda, apareceu, majestoso, o Portão de Brandenburgo, símbolo maior de Berlim.

Brandenburgo


Era domingo, por isso talvez tenha achado a cidade muito vazia, com pouco, quase nenhum movimento, fora alguns grupos de turistas perto do Portão de Brandenburgo.
Bem, esse foi nosso primeiro dia em Berlim. Ainda teríamos outros quatro pela frente. 
Voltamos para o hotel, cansados, após uma caminhada de uns quatro quilômetros.


O Spree


quinta-feira, maio 11, 2017

VIAGENS... HAMBURGO...

Viagens...




Hamburgo

Calfilho

Para os meus amigos que gostam de viajar, após assegurarmos nossa merecida (bota merecida nisso) aposentadoria, vou tentar publicar do meu celular algumas fotos da viagem que estou fazendo desde 13 de abril.
Partimos do porto de Santos (já que o Rio, inexplicavelmente, não abre seu porto para os navios de cruzeiros, cobrando taxas altíssimas), paramos em diversos outros portos (Búzios, Salvador, Fortaleza, Tenerife, Lanzaroti, Cadiz, Lisboa, Vigo, Southampton, Havre e Hamburgo, destino final). Navio muito bom, da MSC, o PREZIOSA.
Aí seguem algumas fotos, não em ordem cronológica:

Lago de Hamburgo

Desculpem-me, mas carregar as fotos pelo celular é meio complicado, pelo menos para mim. As imagens acima são de Hamburgo, belo porto e cidade alemã, onde desembarcamos do PREZIOSA dia 3 de maio. A cidade é muito bonita, limpa, com bons restaurantes e largas avenidas. O boneco da foto é o HUMMEL, símbolo da cidade, que era um carregador de água (notem os baldes) que era muito popular na época. Das cidades alemãs que conheço (Stuttgart, Augsburg, Munique e, hoje, Berlim), Hamburgo foi a que mais gostei.
Em outras publicações tentarei colocar fotos de outas cidades.

sábado, fevereiro 25, 2017

OS TIMES CARIOCAS..

OS TIMES CARIOCAS

Calfilho



      Quando chegamos ao fim de fevereiro e alguns times brasileiros já cumpriram ou estão cumprindo suas participações em alguns torneios e campeonatos, tentaremos fazer aqui uma breve análise do que os espera neste ano de 2017.
       Vou ficar somente nos cariocas, aqueles que acompanho mais de perto, apesar de que, atualmente, com a chamada globalização, talvez sejam até mais noticiados os times de outros Estados brasileiros e até de outros países.
      Aqui, se analisarmos apenas os elencos, acredito que o Flamengo sai na frente. Manteve a base do ano passado (que já era muito boa) e contratou alguns reforços interessantes. Também manteve o técnico, cria da casa, que tem a vantagem de conhecer bem os jogadores, principalmente aqueles que foram criados no clube. Se prevalecer a qualidade do elenco, até em relação aos reservas, o rubro negro já leva vantagem.
     O Fluminense trocou de técnico, perdeu alguns jogadores (Fred, o principal artilheiro, desde o ano passado, que continua fazendo muitos gols no Atlético Mineiro), contratou poucos jogadores conhecidos, mas começou bem a temporada, apresentando um futebol bonito e gostoso de ver. Aí, o dedo do técnico Abel Braga, que conhece muito bem o ambiente do clube, onde jogou e foi técnico em outras oportunidades. Promete...
      Já o Vasco também trocou de treinador, trazendo de volta o já desgastado Cristóvão, que começando a carreira no clube, em substituição a Ricardo Gomes (vitimado por um AVC durante uma partida contra o Flamengo), rodou por outros clubes e Estados, não chegando a obter sucesso em nenhum deles. O time manteve Nenê, seu principal jogador, além do goleiro Martin e Andrezinho, desfazendo-se de Diguinho, Jorge Henrique e outros menos cotados. Acabou de contratar Luiz Fabiano, com idade um pouco avançada para o futebol, mas que teve sucesso anos atrás, principalmente quando defendeu o São Paulo. Incógnita, a nosso ver...
       Finalmente, o meu Botafogo... Pegando logo de cara, no início da temporada, uma verdadeira pedreira pela frente, disputou em quatro partidas eletrizantes e de acabar com qualquer coração, a pré-Libertadores da América. Ganhou, perdeu e empatou, enfrentando duas equipes que têm muita tradição nesse Torneio: Colo-Colo do Chile e Olímpia, do Paraguai. Acabou conseguindo a classificação a duras penas, em partida dramática no Defensores del Chaco, na disputa de penalties...
     Sinceramente, não sei até onde poderá ir esse time. A temporada é dura: Carioca, Libertadores, Copa do Brasil e Brasileiro. Não tem elenco para isso tudo e já vimos, no Carioca, que os reservas estão muito longe da qualidade dos titulares (que não é nada de assombrar)... 
      Contratou Montillo, que seria o toque de classe no meio de campo, mas o mesmo já se machucou, como se machucava no Santos... Luiz Ricardo demora a voltar de contusão, o mesmo acontecendo com nosso maior jogador, o goleiro Jefferson... Não temos reserva à altura para as laterais e para o meio de área. No ataque, a contratação de Roger não resolveu e Canales, o chileno contratado ano passado como grande artilheiro, jogou apenas três partidas e só fez um gol, não saindo do Departamento Médico... Sassá, o desmiolado, apesar de não ser nenhum craque, pelo menos ajudava no ataque... Mas, desde o final do ano passado começou a ter ataques de vedetismo e quase joga fora nossa classificação para a Libertadores deste ano...
       Sinceramente, não sei... Esperemos que a estrela do técnico Jair Ventura e a de Pimpão volte a brilhar com bastante intensidade este ano e possamos passar com distinção pelas competições que nos esperam...

quinta-feira, fevereiro 23, 2017

MAIS SUFOCO... AO QUADRADO...

MAIS SUFOCO... AO QUADRADO...

Calfilho


      Como escrevi ontem aqui mesmo, o jogo do Botafogo contra o Olimpia, do Paraguai, seria uma partida de fortes emoções...
   Apesar de ter a vantagem do empate, graças à vitória alcançada no primeiro jogo, no Engenhão, sempre achei que essa vantagem era insignificante. A partida seria em Assunção, num estádio que é um verdadeiro caldeirão, com a torcida ficando praticamente em cima dos jogadores. E a torcida, em quase sua totalidade, seria do Olimpia... E 1 X 0 é muito pouco como vantagem...
    O Botafogo, desde a época em que Zagallo foi seu treinador, no final da década de 60 do século passado, passou a utilizar uma filosofia de jogo de priorizar o setor defensivo e decidir os jogos em rápidos contra ataques... Naquela época, entretanto, o time tinha Jairzinho, Roberto Miranda, Rogério e Paulo Cesar atuando na linha de frente e Gerson e Carlos Roberto defendendo o meio de campo e alimentando o ataque...
    Os anos decorreram, as equipes alvinegras passaram a ser de  medianas para medíocres (salvaram-se o Campeonato Brasileiro de 1995 e alguns cariocas - não nos esqueçamos que o clube ficou 21 anos sem ganhar um carioca), mas essa filosofia de jogo de defender-se bem e tentar um contra ataque rápido continuou sendo a marca registrada do time.
      Ano passado, 2016, quando conseguimos a brilhante classificação para a Libertadores de 2017, jogamos dessa forma em todo o Brasileiro: defesa e meio de campo consistentes, sólidos, e a velocidade de Neílton, Sassá ou Pimpão para marcar os poucos gols que nos deram algumas vitórias muito importantes... Quando conseguíamos algum golzinho no decorrer da partida, já sabíamos que o final do jogo seria de sofrimento, de angústia, com o time todo lá atrás, defendendo-se como podia, tentando evitar o gol de empate do adversário...               Algumas vezes essa tática deu certo, em outras infelizmente não... Levávamos o gol nos últimos minutos de jogo, alguns até nas prorrogações...
   Este ano, nos jogos iniciais da chamada pré-Libertadores, a mesma filosofia de jogo foi utilizada... Contra o Colo-Colo, aqui no Rio e no Chile e contra o Olimpia, no nosso estádio... Jogamos sempre nos defendendo, dando a iniciativa das jogadas ao adversário, deixando que eles rondassem nossa área, que nos levasse perigo até o apito final do juiz...       Deu certo e nós, torcedores, sabemos o que sofremos, sabemos o sufoco que passamos...
     Torcer pelo Botafogo, depois que acabou a era Garrincha, Nilton Santos, Didi, Quarentinha, Amarildo, Gerson, Jairzinho, Roberto, sempre foi um grande teste para  os corações alvinegros, substituindo, com vantagem e intensidade, qualquer prova de esforço em esteira ou bicicleta ergométrica...
 Dissemos na matéria de ontem que consideramos fraco o nosso time. E não somos somente nós que achamos isso. Vários comentaristas esportivos de nossos jornais e televisão também pensam assim. A força da equipe, depois que o filho de Jairzinho, o Jair Ventura, assumiu sua direção técnica, reside na união dos jogadores, na entrega, na doação em campo, de não considerar nunca um resultado adverso como definitivo. Enfim, de lutar até o fim, suando a camisa com devoção e empenho. Por isso, disse ontem que considero que o Botafogo joga no seu limite...
    Não concordo com a tática que o treinador tem utilizado nos últimos jogos, principalmente o de ontem. Colocou o time todo na defesa, abdicou do ataque, entregou o campo de jogo ao adversário, que ficou martelando nossa defesa o tempo todo... Isso é tática de time pequeno e o Botafogo não é um time dessa dimensão... Pode não ter atualmente grandes craques em seu elenco, mas tem uma camisa gloriosa a ser defendida...
    Realmente, ontem, depois do previsível e previsto gol do Olimpia, quase no final do jogo, achei que tudo estava perdido...                Poderíamos ter tomado o segundo gol e toda uma campanha, tão esperada e desejada, iria por água abaixo... "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura"...
     Conseguimos segurar o placar contra de 1 X 0 até o final do jogo, o que nos permitiu decidir a partida na disputa das penalidades máximas... Fomos felizes e os paraguaios infelizes, como perfeitamente poderia ter sido o contrário... Se acontecesse o inverso, ou seja, o Olimpia classificado e o Botafogo eliminado, os comentários de hoje seriam bem diferentes...
  Não podemos jogar dessa maneira os demais jogos que se aproximam, deixando o adversário, até inferiores tecnicamente, tomar conta do jogo, ocupando nosso campo e abdicando do ataque... Temos que ter equilíbrio em campo, é certo, mas não podemos deixar de ter ambição... 
 Caso contrário, muitos corações botafoguenses não aguentarão o sufoco dos finais de jogo...
     Minha professora de matemática do Liceu dizia que "quadrado" é quase sempre maior que "dobro", "triplo" ou outro multiplicador...
  Com o Botafogo estamos sofrendo sufocos... ao "quadrado"...

terça-feira, fevereiro 21, 2017

HORA DA VERDADE...


HORA DA VERDADE...

Calfilho


       Amanhã, no final da  noite (talvez por imposição da Rede Globo de Televisão, que não quer deixar seus fiéis telespectadores sem a novela noturna), o Botafogo joga uma cartada decisiva na sua caminhada pela Libertadores das Américas.
     Foi difícil a trajetória para alcançar a ambicionada classificação. Depois do fracasso de 2014, quando também chegou ao torneio continental e fez campanha ridícula, com muito esforço e dedicação volta à sua disputa este ano.
     Ainda numa fase pré-grupos, conseguiu eliminar o Colo-Colo do Chile, depois de duas partidas emocionantes e muito sufoco...
Aqui no Rio de Janeiro, no primeiro jogo, conseguiu vencer o Olimpia do Paraguai, apenas por 1 X 0, levando uma vantagem mínima para o segundo encontro em Assunção.
    Nos últimos anos (muitos anos), o Botafogo não tem frequentado a Libertadores. Tudo fruto das péssimas administrações que mergulharam o clube em dívidas que o sufocam e, consequentemente, não obtendo êxito em formar um elenco como aqueles da década de 60 do século passado.
       Segundo comentário do ex-jogador Paulo Cesar, que começou no clube e chegou à seleção brasileira, o "time é fraco".
            Concordo com ele. 
        Mas, o que lhe falta em talento, em genialidade, em inspiração, sobra-lhe em dedicação, em empenho, em... transpiração...
     Foi assim que conseguiu a suada classificação no Brasileiro do ano passado, depois de ter amargado a segunda divisão no anterior, 2015.
       O time jogou o segundo semestre de 2016 e joga agora, neste início de Libertadores, em seu limite, no máximo de suas forças.
    Não tem craques, aqueles melhores dotados tecnicamente ora estão machucados (Montillo, Carli) ou mal fisicamente (Camilo). O ídolo, o goleiro Jefferson, está há mais de sete meses fora do time, recuperando-se de uma grave lesão. Os reservas são fracos, bem abaixo do nível dos titulares (veja-se a campanha no Campeonato Carioca).
      Agora mesmo, para o jogo decisivo contra o Olimpia, joga sem o lateral direito Jonas (suspenso) e o "craque" Montillo (machucado).
         Esperemos que a boa estrela do Pimpão volte a brilhar como em vezes anteriores e que consigamos a merecida classificação...
         Fortes emoções nos aguardam..
         Haja coração...

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

A MORTE DO "CARIOCA"...

A MORTE DO “CARIOCA”...


Calfilho


O título pode sugerir que algum carioca famoso tenha falecido, mas não se trata disso. O tema é mais ameno. Vou tentar falar do “campeonato” carioca de futebol.
Lembro-me perfeitamente que, no início da década de 1950, quando eu acabara de completar oito anos de idade e o Brasil, meses depois, perdia vergonhosamente no Maracanã a Copa do Mundo, a primeira após a Segunda Guerra Mundial, meu pai me levou para assistir uma partida no maior estádio do mundo. E, aí a paixão que já aflorava em mim pelo esporte bretão ganhou mais força, mais intensidade. Ouvira pelo rádio e acompanhara pelos jornais a malfadada Copa do Mundo, onde o Brasil tinha tudo para ganhar e perdeu a final de forma medíocre, até covarde, segundo o noticiário da época. Realmente, eram poucas as seleções que aqui vieram disputar o torneio mundial, já que a aviação comercial internacional ainda engatinhava e muitos países europeus preferiram não se arriscar a uma travessia oceânica de navio após os horrores da guerra recém finda. O Brasil ganhara fácil, goleando mesmo, a Suécia e a Espanha, o Maracanã fora construído para ser o palco da festa brasileira. Mas, na final contra o Uruguai, perante quase duzentas mil pessoas, nossa seleção, repleta de craques, fracassou, dando um vexame que só foi suplantado sessenta e quatro anos depois, com a derrota brasileira para a Alemanha, em pleno Mineirão, por sete gols a um.
Meu pai não quis me levar nesse jogo contra o Uruguai, temeroso de que as comemorações após a vitória tida como certa e a conquista do título mundial fossem terminar em tumulto, naquele Rio de Janeiro de 1950, onde os bondes ainda trafegavam pelas ruas e as velhas barcas ligavam o Rio a Niterói. Nessa época, morávamos na Av. Amaral Peixoto, na antiga capital fluminense.
Instalada a paixão futebolística, passei a acompanhar tudo que era escrito, irradiado e até algumas vezes televisionado sobre futebol. Não me defini por nenhum time, acompanhando qualquer jogo que o rádio transmitia.
Naquela época, os campeonatos estaduais eram os mais importantes do calendário futebolístico brasileiro. Até porque, grande como é o Brasil, difícil era a realização de partidas interestaduais, dada a dificuldade de locomoção entre grandes distâncias. Além dos campeonatos dos Estados, havia apenas um torneio entre clubes do Rio e São Paulo, o “Roberto Gomes Pedrosa”, vulgarmente chamado de Rio/São Paulo.
Eram os estaduais a coqueluche do futebol aqui praticado.
No Rio de Janeiro, os grandes clubes eram os que ainda são hoje considerados como os melhores: Botafogo, Vasco, Fluminense e Flamengo. Mas, também eram tidos como “quase grandes” o América e o Bangu.
Os mais antigos devem lembrar do time do América, que tinha Osni, Oswaldinho, Dimas, Maneco, Alarcon e outros. O Bangu, em transação milionária, patrocinada por Castor de Andrade, conhecido banqueiro do jogo do bicho, contratara  Zizinho ao Flamengo, tido como um dos maiores meias que o Brasil já teve em todos os tempos, titular absoluto da seleção brasileira vice-campeã do mundo. Além dele, lá estavam Luiz Borracha, Rafaneli, Mirim, craques de primeira linha.
O Fluminense tinha Castilho, Píndaro e Pinheiro; Vitor, Lafayete, Orlando Pingo de Ouro. O Flamengo alinhava Garcia, Biguá e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan; Joel, Rubens, Índio, Benitez e Esquerdinha. O Vasco da Gama, base da seleção brasileira de 1950, tinha Barbosa, Augusto e Juvenal, Eli, Danilo e Jorge; Tesourinha, Friaça, Maneca, Ademir e Chico.
O Botafogo era o mais fraco dos considerados “grandes”.  Lá jogavam Oswaldo Baliza, Paraguaio, Geninho, Ruarinho, Bob, Richard, Orlando Maia, Arati, segundo me recordo.
Muitos deles foram nomes de meus “jogadores” de botão...
Poucos jogos eram televisionados, apenas alguns aos sábados à tarde. Durante muito tempo houve uma briga bastante intensa entre clubes e televisão para que os jogos fossem transmitidos ao vivo. Naquela época não havia vídeo tape.
Entre os poucos jogos que vi pela televisão, ficou marcado na minha memória aquele em que Heleno de Freitas, o maior ídolo do  Botafogo até 1948, então contratado pelo América, fez sua estréia no Maracanã. Devido ao seu temperamento explosivo e à sífilis, que já corroia seu corpo, foi expulso no fim do primeiro tempo.
Mesmo os times considerados como “pequenos”, quase todos eles clubes dos subúrbios cariocas, como Bonsucesso, Olaria, São Cristóvão, Madureira, tinham bons jogadores. O Madureira, de Irezê, Bitum e Weber (este, muitos anos mais tarde, meu colega na magistratura do antigo Estado da Guanabara); Olavo, o violento zagueiro do Olaria; Santo Cristo, centro avante do São Cristóvão. Além do Canto do Rio, clube de Niterói, que conseguiu vaga para disputar o campeonato carioca desde a década de 1940, por influência do então interventor do antigo Estado do Rio de Janeiro, Ernani do Amaral Peixoto. O Cantusca era defendido por craques como Carango, Jairo e Zequinha, entre vários outros.
O campeonato era disputado nos moldes do atual Brasileirão:pontos corridos, jogos de ida e volta, em dois turnos.
Quando eu já havia completado doze anos, torne-me sócio do Canto do Rio, cuja sede ficava perto do apartamento onde morava. Então, passei a acompanhar os jogos do time no Estádio Caio Martins. Eram domingos de festa, quando o alvi-celeste de Niterói recebia Vasco, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Bangu, América, Madureira, Bonsucesso, São Cristóvão, Olaria.
Os anos se sucediam e a cada começo de temporada eu ia ao Maracanã para assistir o Torneio Início, outra grande festa do futebol.
Vi jogar praticamente toda a geração que foi campeã do mundo em 1958. Acompanhei Gerson começar no Canto do Rio em 1955 e, mais tarde, Zé Maria também ali jogar seu primeiro ano como profissional, em 1959.
Os grandes campeonatos, por toda a década de 50, eram os estaduais.
No “carioca” pontificaram Garrincha, Didi, Nilton Santos, Amarildo, Manga, Castilho, Zizinho, Jairzinho, Rubens, Dequinha... muitos craques, muita saudade...
Os clubes e a televisão parece que finalmente chegaram a um acordo e as emissoras passaram a pagar as transmissões, o que hoje é uma das principais fontes de renda dos clubes.
Surgiram os empresários, levando do Rio e do Brasil as jovens promessas do nosso futebol. Veio o Campeonato Brasileiro, a Libertadores, e hoje os clubes chegam a ver os estaduais como um estorvo em seus calendários.
Por isso, quando estão envolvidos em outra competição que consideram de maior importância, relegam a segundo plano os campeonatos locais.
Colocam em campo equipes reserva, cumprem tabela...
Morreu... acabou-se... “quem comeu se regalou”...

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

SUFOCO...



SUFOCO...

  

Calfilho


              Ontem à noite decidi deixar a preguiça de lado e acompanhei meu filho ao estádio Nilton Santos, o popular Engenhão.  Já faz tempo que perdi o entusiasmo de me deslocar até um campo de futebol para assistir uma partida do esporte que admiro desde criança. A violência que hoje impera dentro e fora dos estádios, a difícil locomoção, o trânsito permanentemente engarrafado do Rio de Janeiro, a volta para casa quase sempre muito difícil, além da qualidade medíocre dos espetáculos apresentados, fizeram-me assinante da TV a cabo e, da minha poltrona, em frente ao aparelho de televisão, assisto confortavelmente os jogos que me interessam, principalmente os do meu Botafogo. Além disso, atualmente, por imposição das “novelas” da TV-Globo, os jogos noturnos começam quase às vinte e duas horas e terminam próximo da meia-noite. Convenhamos que, no estado atual da violência e dos assaltos em nossa cidade, pegar condução na rua a essa hora é uma temeridade.
             Bem, mas ontem era jogo da Libertadores e meu filho acabou por convencer-me. Pegamos um carro da UBER antes das 20 horas e, depois de um engarrafamento monstruoso na Av. Brasil, chegamos ao estádio minutos antes do começo do jogo. Bom público, motivado pela boa campanha do time ano passado e pela ultrapassagem do primeiro obstáculo no torneio continental.
            Se não estavam completamente cheias, as arquibancadas do belo estádio estavam repletas de bandeiras e cartazes alvinegros, formando belos mosaicos com o escudo do clube quando da entrada das equipes no gramado.
            O jogo começou nervoso e o Botafogo, necessitando fazer um bom resultado em casa, lançou-se logo ao ataque. Muito desordenado, sem jogadas ensaiadas, talvez mais pela presença de alguns jogadores contratados no início deste ano,  como  Jonas,  Montillo e Roger e, pela presença da grata revelação Marcelo na zaga central. O goleiro foi o terceiro reserva Helton Leite, já que Jefferson ainda se recupera da grave lesão sofrida ano passado e Cachito Fernandez, contratado este ano ao Figueirense, estava machucado.
            Aos 14 minutos, Montillo sente uma lesão muscular e pede sair. Entra João Paulo, contratado este ano, vindo do Santa Cruz. O Botafogo trocava muitos passes no meio do campo, com pouca penetração e raros chutes a gol. O Olimpia, do Paraguai, procurava apenas se defender, mas tocava bem a bola. Entretanto, sem maior perigo para Helton Leite. Até que, numa jogada ocasional, sem maiores pretensões, Jonas bate um lateral próximo à área paraguaia. A bola é lançada com força, mais parecendo um escanteio, resvala na cabeça de um zagueiro paraguaio que a disputou no alto com Roger e acabou sobrando para Pimpão. Este, de costas para o gol, rapidamente tentou uma bicicleta, mesmo assediado por outro jogador paraguaio, e a bola acabou entrando. Botafogo 1 X 0...
           O primeiro tempo terminou com jogadas amarradas de meio de campo.
           No segundo período, Bruno Silva, um de nossos melhores jogadores, ficou no vestiário, também sentindo lesão muscular. Foi substituído pelo jovem Guilherme, emprestado pelo Grêmio de Porto Alegre.
           O Botafogo, então, perde completamente o domínio do meio de campo, passando o Olímpia a controlar o jogo. E foi essa a tônica do segundo tempo... O time paraguaio jogando praticamente na metade do campo do Botafogo, e este se defendendo como podia. Senti, preocupado, como tantas outras vezes, que o gol do empate poderia acontecer a qualquer momento... Time que só se defende acaba levando gols... “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura...”.
           Enfim, a duras penas e com muito sofrimento para os corações botafoguenses, conseguimos segurar a vitória... 1 X 0 e olhe lá...
           Gostei das atuações de Marcelo na zaga (esse não sai mais do time: muita personalidade, muita raça e bom futebol); do Victor Luiz na lateral esquerda, combativo e atuante como sempre; do Aírton, incansável no meio de campo e do Pimpão, não tão brilhante como no jogo de volta contra o Colo-Colo, mas correndo muito, dedicando-se ao extremo e sendo premiado com o gol da vitória. Decepcionei-me, mais uma vez, com Camilo (que parecia alheio ao jogo, perdendo bolas divididas no meio de campo, que resultaram em perigosos contra ataques) e do Roger, que parece estar completamente fora do ritmo da equipe.
            O time me pareceu muito cansado no segundo tempo, não conseguindo acompanhar a correria do Olímpia. As contusões musculares talvez se devam ao pouco tempo de preparo na pré-temporada. Mas, essa deficiência no preparo físico talvez possa ser decisiva em jogos contra adversários mais fortes...
            Voltei para casa contente com a vitória, mas muito desconfiado e temeroso quanto a um bom resultado no jogo de volta no caldeirão do “El Chaco”...