MINHA NETINHA SABIDA...
Minha netinha, com 3 anos e meio, sempre que vem me visitar, me pergunta, com aquela voz de "pidona":
"-- Vô, tem "pesente"?
O pai dela, meu filho, faz a crítica:
"-- Tá vendo, acostumou mal, deu nisso".
Não dou muita importância à crítica dele, pois nunca resisti àquela carinha de anjo, perguntando se eu tinha alguma coisa para ela, e sempre comprava-lhe uma bonequinha, uma revistinha ou qualquer outro brinquedinho para fazê-la feliz.
Quinta-feira passada, ela veio me visitar. Depois dos abraços e beijos, circulou em volta da minha poltrona, como que procurando o melhor momento para me fazer a pergunta de sempre. Finalmente, exibiu aquela carinha de "pidona" e perguntou timidamente:
"-- Vô, tem "pesente"?
Lembrando-me da crítica do meu filho, dessa vez respondi:
"-- Não, hoje o vovô não tem mais dinheiro para comprar presente. Ele acabou"...
Ela, meio desapontada, olhando para o nada, retrucou, na inocência dos seus três aninhos e seis meses:
"-- É, tem que trabalhar mais...".
Não adiantou dizer que eu já estava aposentado, que já não trabalhava mais...
2 comentários:
Meu caro Amigo, as crianças são inocentes, mas conseguem ser mordazes, por vezes, em suas observações.
A meu juízo, à distância, você estaria abrilhantando o TJRJ, na qualidade de desembargador.
Em sua ingenuidade, sua neta pensa como eu (rsrsrs).
Bela história familiar. A minha, aos 29 anos, ainda não me deu bisneto. Mas não perdi a esperança.
Não, Carrano, já teria morrido há muito tempo...
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