domingo, junho 21, 2015

OS ARREDORES DE PARIS 01

 

 

 

OS ARREDORES DE PARIS

Parte 01
 
Calfilho
 
 
              Tentaremos falar hoje de algumas cidades próximas a Paris, facilmente alcançáveis por trem, e que merecem uma visita de meio ou talvez um dia.
 
       VERSALHES   
                 A primeira delas é, evidentemente, Versalhes, a mais conhecida e badalada pelos turistas. Pode-se chegar até ela de trem, pelo RER e, é claro, de carro ou ônibus de turismo.   Desconheço   se existe uma linha regular de ônibus que chegue até lá. Acredito que não. Aliás, na França, só vi rodoviárias nas cidades do interior, que geralmente ficam ao lado da estação de trem. Mas, confesso que nunca procurei saber se de Paris partem linhas regulares de ônibus para outras cidades. Patrick uma vez disse que não sabia, mas ele era muito radical quanto a certos modernismos, usuário habitual que era do transporte ferroviário.
              Pelo RER (cujo bilhete deve ser  comprado especificamente para o destino Versailles R.G. , pega-se a linha C7 (direção La Vemere) ou F6 (direção Gazeran), na estação Saint Michel. Nunca fui a Versalhes por esse meio de transporte. Prefiro o trem, que pego na gare Saint Lazare, comprando o bilhete numa das bilheterias automáticas ou em outra de atendimento pessoal. Deve-se sempre comprar o bilhete de ida e volta, por ser mais barato.
                Chegando ao ponto final, Versalhes, depois de passar por pequenas cidades ao longo do caminho, ao sair da estação pegamos a rua à esquerda, andamos alguns quarteirões (quatro ou cinco) e dobramos à direita, onde, ao longe, já se vê a silhueta majestosa do palácio. Existem indicações por todo o caminho para o "château".
                  Resultado de imagem para versalhesÉ passeio que demanda um pouco de tempo e paciência, pois são bem extensas as filas para ingressar no palácio. Se você tiver comprado o passe "Paris museum", já evita uma das grandes filas, aquela onde se adquire o bilhete, sendo o passe válido para alguns museus fora de Paris, entre eles o de Versalhes. Pode entrar direto na segunda fila, aquela que dá acesso diretamente ao castelo. É uma visita realmente imprescindível (desculpem-me, não gosto da palavra "imperdível") para aqueles que visitam a França. Se possível, compre um pequeno guia que possa orientá-lo sobre quais salas e locais devem ser visitados, em especial a famosa Galeria dos Espelhos.Resultado de imagem para versalhes



AUVERS
              Outra cidade que vale a pena visitar, e pouco conhecida da maioria dos turistas, é Auvers-sur-Oise. Fica a menos de uma hora de Paris, pegando-se o trem na gare Saint Lazere e fazendo-se uma baldeação em Pontoise. Prestar atenção para que a "correspondance" (baldeação) seja feita realmente em Pontoise pois existem outros trens na mesma linha e direção que não param nessa cidade. De Pontoise pega-se um outro trem para uma viagem de 11 minutos até Auvers. Basta orientar-se pelas placas de sinalização exibidas por toda a estação.Resultado de imagem para auvers sur oise
                Auvers é uma pequena cidade que ficou famosa por ter sido lá onde Van Gogh passou os três últimos meses de vida, onde morreu e está enterrado. Se puder, faça esse passeio num dia de domingo. Isto porque a "Maison Ravoux", a hospedaria onde Van Gogh residiu e morreu, serve no restaurante, no térreo, um pernil de cordeiro que é famoso por sua qualidade e sabor, já que fica mergulhado num molho especial de ervas por quatro dias, molho esse que é trocado a cada noite. Pela lateral da hospedaria tem-se acesso ao museu Van Gogh, onde se vai até o primeiro andar, local do quarto de Van Gogh, onde sobressai a cama em que agonizou e morreu, depois de ter dado um tiro de revólver em seu abdome. Ali também há uma exibição de slides sobre a obra do pintor.
                   Mas, o ponto alto de Auvers é o Museu do Impressionismo, que fica num pequeno castelo, onde é feita uma visita excepcional através do mundo impressionista,   inclusive com  alguns toques da realidade do que foi o movimento, com uma amostra do que seria uma viagem de trem, na visita ao museu, mostrando as cidades onde os pintores buscavam inspiração para suas obras. Espetacular!!! 
                            Auvers tem também um museu do absinto, o chamado "fogo verde", que era a bebida preferida por pintores, escritores, escultores e a boemia intelectual do final do século XIX. Hoje, essa bebida, bem mais fraca, é o Pastis, o Pernod e o Ricard, que é uma espécie de aniz.
              Também, se achar interessante, vale uma visita ao cemitério, onde estão os túmulos de Vincent Van Gogh e seu irmão Theo, que faleceu um ano após o pintor (existem alguns bons filmes sobre a biografia do mestre holandês). No caminho para o cemitério está uma pequena igreja, retratada num dos quadros mais célebres de Van Gogh. Ainda no mesmo caminho está a casa onde residiu o Dr. Gachet, médico que cuidou de Van Gogh quando ele foi ali residir e que é também retratado num quadro famoso.Resultado de imagem para auvers sur oise
                    Atenção para os horários de volta do trem de Auvers para Pontoise, que não são muito frequentes e que diminuem aos domingos.

sexta-feira, junho 19, 2015

TOULOUSE, LOURDES, CARCASSONE, MONTPELIER

 

 

TOULOUSE, LOURDES, CARCASSONE,   MONTPELIER 

Calfilho
 
 
 
                 As quatro cidades acima, que ficam no sudoeste da França, regiões de Midi-Pirineus e Languedoc/Roussilon, foram outros locais que visitei nas minhas andanças francesas. Nas três primeiras fiquei hospedado de três a quatro noites, na última fiz uma visita de um dia, partindo e voltando de/para Toulouse.

TOULOUSE

               É uma das principais cidades da França, a quarta ou quinta em importância, depois de Paris, Lyon, Marselha e, talvez Lille. Partindo de Paris, pode-se pegar vários trens que partem das gares de Lyon, Montparnasse e Austerlitz (consultar, a respeito o site www.eurorailways.com/timetables).
Praça do Capitólio - Toulouse
 
Gare de Toulouse

               É cortada pelo rio Garone, através do qual pode-se fazer um passeio de barco de turismo, na primavera e verão (melhores informações no escritório de turismo da cidade, que fica próximo à praça do Capitólio). A estação de trem é uma construção muito bonita, em estilo arquitetônico bem interessante. Saindo-se da estação, seguindo sempre em frente pela rua perpendicular à gare, chega-se à praça do Capitólio, que é bem grande, como se fosse um largo campo aberto. À sua volta, vários restaurantes e lojas fazem o local ficar sempre bastante movimentado. O prato típico regional é o "pot-au-feu" ou "cassoulet", que é uma variedade do  nosso cozido, com menos tipos de carnes, mas, talvez com a introdução de carne de ganso ou perdiz. Toulouse é a cidade das violetas e, no escritório de turismo e em várias lojas da cidade, encontramos loções e perfumes da flor. Fiquei hospedado lá por umas quatro vezes, em hotéis diferentes, todos em frente à estação de trem. O melhor deles talvez seja o da rede IBIS.
            De Toulouse pode-se visitar cidades vizinhas, como Lourdes, Carcassone e Montpelier e, também outras mais distantes, pois dali parti para Barcelona, na Espanha. Sempre de trem.

LOURDES
 

            Cidade famosa por ser um centro de peregrinação de fiéis.  Pode-se chegar até ela diretamente de Paris (também das gares de Austerlitz ou Montparnasse). A cidade é pequena e vive em função da gruta onde a santa fez sua aparição, bem como da bela catedral que fica à sua frente. A virgem Maria teria aparecido á uma menina local, de nome Bernadete. Da estação de trem até à gruta passa-se por diversas ruas, onde são vendidos souvenirs da santa e da cidade. Por ser uma cidade pequena, o comércio não costuma funcionar na parte da tarde. Cuidado, portanto: se chegar depois das três da tarde, só vai encontrar alguma coisa para comer no Mac Donald's local.

CARCASSONE

Carcassonne JPG01.jpgCarcassone

           Cidade conhecida como "Citadela", tendo em vista a monumental muralha que a cerca, talvez a maior de toda a França. Diferente de Saint Malo, onde dentro das muralhas (remparts) existe realmente uma cidade, com toda uma infraestrutura citadina, com moradias, vários hotéis, lojas e restaurantes, mercado, etc., em Carcassone, apesar de as muralhas serem muito mais extensas, a vida interior limita-se a algumas poucas lojinhas de souvenirs, um ou dois hotéis e bares. Restaurante, só vi um, mesmo assim acho que fazia parte de um dos hotéis. Mas, as muralhas realmente são impressionantes, divisadas ao longe, mesmo por quem passa de trem longe da cidade. A vida dos habitantes é toda fora das muralhas, perto da estação do trem e ruas próximas. Fiquei lá por três noites, mas talvez apenas duas sejam necessárias para conhecer a cidade e as muralhas.

MONTPELIER

                    Conhecida como a cidade dos festivais, pois ali se realizam concertos ao ar livre em determinadas épocas do ano, tanto de música clássica, como rock ou outros gêneros de música. Estive lá rapidamente, só conheci praticamente a região central, cujas construções são de arquitetura predominantemente antiga. A cidade pareceu-me muito viva, com bastante movimento, muitos restaurantes e bares. Estava em Toulouse, peguei um trem regional com minha mulher e filha, passamos lá uma manhã e tarde, voltamos no fim do dia. Gostei muito, talvez volte lá outra vez.
 

quinta-feira, junho 18, 2015

BORGONHA (BOURGOGNE)

 

 

BORGONHA

 
 
Calfilho
 
 
             Outra região da França que tive a felicidade de visitar foi a Borgonha. Famosa por sua culinária e pela produção de vinhos nobres, estive hospedado em Auxerre e visitei Dijon por duas vezes. Para esta última, toma-se o TGV na gare de Lyon, que tem saídas frequentes para a cidade. Logo na saída da estação está o escritório de turismo da cidade, onde pode-se pegar um mapa e obter orientação sobre os pontos principais a serem visitados. Dijon não é grande, mas como a maioria das cidades do interior da França, tem uma parte antiga e outra moderna. Vale a pena a visita, principalmente o setor antigo. Tem bons restaurantes e deve ser apreciado um dos vinhos da região, todos muito bons.Resultado de imagem para dijon frança
                 Resultado de imagem para dijon frança
A mostarda também é muito procurada, tendo um sabor especial.
Foto de Office de Tourisme Semur en Auxois
Semur
               Já em Auxerre estive hospedado por três noites. Patrick, meu amigo francês, convidou-me para conhecer a região.Resultado de imagem para auxerre Combinou com seus colegas de trabalho, Jean-Pierre, Gérard e Anne-Marie passarmos alguns dias lá. Jean-Pierre apanhou-nos no hotel em Paris e seguimos para Auxerre. Patrick já lá estava com o filho, Sacha. A cidade é muito bonita, cortada por um rio e tem um centro histórico com várias atrações a serem conhecidas. Gérard e Anne-Marie, que tinham uma casa de campo na região, vieram nos encontrar em Auxerre e dali seguimos para conhecer duas outras cidades medievais, Semur e Noyers.Resultado de imagem para noyers frança Muito proveitoso o passeio e, no último dia fomos brindados com um almoço regional oferecido por Gerard e Anne-Marie em sua casa. Coelho ensopado foi o prato principal.
               Se não fosse o convite de Patrick e o fato de Jean-Pierre nos ter conduzido em seu carro, dificilmente teríamos conhecido a região, principalmente Semur e Noyers, que são pequenos vilarejos (não sei se o trem chega até eles). Mas, aí fica colocada outra questão para quem vai visitar um país estrangeiro: vale a pena alugar um carro e sair dirigindo pelo interior, conhecendo as pequenas cidades, parando onde quisermos? Ou, é preferível irmos de trem para uma cidade maior (no caso, Auxerre) e dali pegarmos um táxi ou um "tour" pela região, quase sempre disponíveis nas portarias dos hotéis?
                Prefiro a segunda opção, pois dirigir no exterior não é a mesma coisa que no Brasil. Não conhecemos as estradas, as leis locais, a regulamentação sobre pedágio, e, se por infelicidade, acontecer algum acidente com o nosso carro, a viagem estará irremediavelmente perdida. Sei de um caso em que um casal idoso, conduzindo um veículo pelo interior de um país estrangeiro, com toda a cautela possível, parou num cruzamento aguardando que o sinal luminoso abrisse para eles, quando um motociclista, em alta velocidade, perdeu a direção e colidiu com seu veículo, acabando por falecer. Pronto, começou o drama do casal. Foram levados para a delegacia, onde não sabiam expressar-se fluentemente na língua local. Ficaram detidos por vários dias, tiveram que recorrer à embaixada do Brasil e só puderam retornar ao nosso país depois de pagarem pesada multa e uma indenização à família do motociclista falecido, quando não tinham eles absolutamente nenhuma culpa no acidente.
                   Mas, a opção fica valendo para quem deseja correr o risco...
 

 

sábado, junho 13, 2015

O VALE DO LOIRE




 

 

O VALE DO LOIRE

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Calfilho
 
 
    Esse é um dos circuitos turísticos mais badalados da França. O rio Loire (não esqueçamos que rio em francês é feminino, por isso eles o chamam de "la Loire) é um dos mais importantes do país, banhando uma região conhecida como "la Valée de la Loire" (poucos a  chamam de "Val de Loire", não se preocupem, são filigranas da língua francesa) onde estão alguns dos mais famosos castelos da França. O Loire vai desaguar no Oceano Atlântico na cidade de Nantes, no oeste do país. Mas, no interior, antes de chegar ao oceano, ele passa por uma região muito bonita, repleta de castelos com grande valor histórico. Entre eles os de Amboise, Chambord, Chenonceau, Blois (os mais visitados) e outros menores como Chinon, Cheverny, Langeais e Aizy-le-Rideau. São todos eles construções da idade média, cada um com sua história própria para contar.
               Já estive lá por umas cinco ou seis vezes. Explico: como as reservas financeiras não davam para levar a família toda de uma só vez, fiz minhas viagens para a Europa levando um filho de cada vez, além de meu neto e até alguns amigos que me acompanharam. E, como para cada um deles os locais eram desconhecidos, repeti determinados passeios ou visitas, acompanhando-os a lugares que já havia visitado anteriormente. Para eles, seria como ir a Paris e não visitar a torre Eiffel ou deixar de fazer um passeio de "bateau mouche" pelo Sena, para quem nunca fez esses passeios.
              Por isso, tendo em vista o pouco tempo que meus acompanhantes tinham para ficar na Europa, preferi pegar um passeio de um dia, saindo de Paris e visitando apenas alguns castelos do vale do Loire. Esses passeios foram feitos pela Cityrama ou Paris Vision (francesas, com guias espanhóis) e a Duga's (brasileira, com guia brasileiro ou português). Entretanto, pode-se pegar um trem até Tours ou Orleans, ficar hospedado numa delas e pegar um táxi ou talvez algum "tour" local para visitar um número maior de castelos.
            Aqueles  que visitei foram Blois, Amboise, Chenonceau e Chambord.
 
AMBOISE
 
           Cidade medieval, fica situada numa das margens do rio Loire. Foi moradia de vários reis franceses e, a convite de Luís XII, ali perto instalou-se Leonardo da Vinci, no Clos Lucé. O castelo fica numa pequena elevação, à beira do rio, de onde se tem uma vista maravilhosa. Ali, logo na entrada, está o túmulo de Da Vinci. Andando-se mais uns 100 metros do lado de fora do castelo chegamos ao Clos Lucé, hoje um museu sobre a obra de Leonardo.
Castelo de Amboise
 
  

É uma visita muito bonita, parece que realmente voltamos no tempo, apreciando a obra maravilhosa de Leonardo da Vinci.
 

CHENONCEAU
 


            É outro castelo muito visitado da região. Fica no meio do rio Cher, um afluente do Loire. Disse no meio, porque, literalmente, ele foi construído dentro do rio.

Arredores de Chenonceau

 
              Chenonceau é também conhecido como o castelo das "sete damas", porque sua história está relacionada a sete mulheres de personalidade forte, entre elas duas rainhas da França. Foi dado de presente à Diane de Poitiers, amante do rei Henri II. Depois da morte do rei, em 1559, sua viúva e regente, Catarina de Médicis, despejou Diane do castelo, nele indo residir. Catarina fez várias benfeitorias e embelezou mais o local, fazendo ali a primeira exibição de fogos de artifício quando seu filho, Francisco II, assumiu o trono.
  
 
Chenonceau em 1851







Chenonceau atualmente


Chenonceau atualmente



CHAMBORD

            Talvez seja o maior, o mais imponente castelo da região.


                                                                                     


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Chambord






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Chambord


             Foi residência de caça do rei Francisco I, construído em estilo renascentista francês, que é uma combinação das formas medievais francesas e clássicas italianas. Sua construção durou de 1519 a 1549, sofrendo o projeto original várias modificações durante as obras. Francisco I, que morava em Amboise e quem trouxe Leonardo da Vinci para morar nessa cidade, teria pedido ao mestre italiano que esboçasse o projeto original. Um dos pontos principais da obra é a escada dupla em forma de hélice, que vai do térreo até o terceiro piso, sem nunca se encontrarem. Convém dar uma olhada no histórico do castelo na Wikipédia. É uma visita absolutamente imprescindível.
                
BLOIS
 
              O quarto castelo que visitei naquela região foi Blois. Fica às margens do rio Loire, numa pequena elevação, de onde se descortina uma vista maravilhosa da cidade. Foi residência de vários reis franceses e ali Joana d'Arc foi abençoada pelo bispo de Reims, antes de partir para conquistar a cidade de Orléans, então sob domínio inglês. Ali também foi assassinado Henrique I, o duque de Guise, por ordem do então rei Henrique II.
                   Entre os outros castelos da região, não tão belos como os acima descritos, estão Chinon, Aizy-le-Rideau e Cheverny. Chinon tem grande importância histórica pois foi ali que Joana d'Arc, depois de ter ouvido as vozes que a mandavam salvar a França, procurou o rei Carlos V, que ali se refugiava, dizendo ser a mensageira de Deus para derrotar os ingleses. Existem vários filmes sobre a vida de Joana d'Arc que contam esse episódio. Infelizmente, não tive tempo para visitar esses outros castelos dessa região tão rica sobre a história da França.

terça-feira, junho 09, 2015

O PAÍS BASCO

 

 

 
 

O PAÍS BASCO

 
 
Calfilho
 
 
 
           Uma das regiões mais bonitas e interessantes que visitei na França encontra-se no sudoeste do país, a região basca.
              Meu amigo francês,  Patrick Louet, disse-me que seus pais moravam numa cidade que faz fronteira com a Espanha, Saint Jean de Luz, convidando-me a visitá-la. Hospedei-me lá duas vezes, a primeira em setembro de 2011. Lembro-me bem dessa viagem, pois estava no quarto do hotel assistindo uma programação de TV, quando entrou no ar, ao vivo, o ataque às torres gêmeas em Nova York. Eram quase duas da tarde na França, havia acabado de almoçar, estava quase cochilando na cama, quando a primeira torre foi atingida. Recordo que, ainda meio sonolento, a princípio pensei que fosse um daqueles filmes americanos de ação  (na hora, lembrei-me bem de  um, a primeira versão de King Kong, onde o gorila aparece no alto do Empire State Building tentando pegar com as mãos os aviões que o atacavam). Mas, com os gritos histéricos e apavorados do locutor que narrava o episódio, vi logo que não se tratava de um filme. E, logo em seguida, o segundo avião atinge, ao vivo, a outra torre gêmea...
Igreja de São João Batista
 Praia de St. Jean de Luz
              Voltei a St. Jean alguns anos depois, não me lembro quando. A cidade é muito bonita. A igreja, construção antiga, tem como marco histórico o casamento de Luís XIV. Lá também residiu o famoso compositor Ravel, autor de "Bolero". A praia está coalhada de restaurantes, que servem, além da comida basca (principalmente pratos à base de carne de porco), uma variedade bastante grande de culinária, destacando-se os frutos do mar.
Cruz Basca
Cruz Basca
                A região basca compreende territórios na França e na Espanha e seus habitantes há muito tempo reivindicam a autonomia como país independente (a respeito, deve ser ressaltado o movimento revolucionário ETA). De St. Jean de Luz pode-se ir facilmente até a cidade espanhola de Irun, já que as duas são fronteiriças (entre elas ainda a pequena cidade de Hendaye, que é francesa). Na Espanha, as principais cidades são Bilbao, Vitoria, Pamplona e San Sebastian. Os bascos falam seu próprio idioma, os túmulos de seus parentes têm sua forma característica (a cruz basca), usam uma boina peculiar, têm sua própria pimenta, a espelete.Resultado de imagem para st. jean de luz

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Pimenta espelete
               De St. Jean pode-se pegar um ônibus ou o trem e visitar as cidades mais ao norte, ambas à beira-mar: a famosa Biarritz e Bayone. Bordeaux fica mais acima (nunca visitei, ali só fiz uma baldeação de trem).
              É outra região da França da qual guardo excelentes recordações.