sábado, junho 13, 2015

O VALE DO LOIRE




 

 

O VALE DO LOIRE

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Calfilho
 
 
    Esse é um dos circuitos turísticos mais badalados da França. O rio Loire (não esqueçamos que rio em francês é feminino, por isso eles o chamam de "la Loire) é um dos mais importantes do país, banhando uma região conhecida como "la Valée de la Loire" (poucos a  chamam de "Val de Loire", não se preocupem, são filigranas da língua francesa) onde estão alguns dos mais famosos castelos da França. O Loire vai desaguar no Oceano Atlântico na cidade de Nantes, no oeste do país. Mas, no interior, antes de chegar ao oceano, ele passa por uma região muito bonita, repleta de castelos com grande valor histórico. Entre eles os de Amboise, Chambord, Chenonceau, Blois (os mais visitados) e outros menores como Chinon, Cheverny, Langeais e Aizy-le-Rideau. São todos eles construções da idade média, cada um com sua história própria para contar.
               Já estive lá por umas cinco ou seis vezes. Explico: como as reservas financeiras não davam para levar a família toda de uma só vez, fiz minhas viagens para a Europa levando um filho de cada vez, além de meu neto e até alguns amigos que me acompanharam. E, como para cada um deles os locais eram desconhecidos, repeti determinados passeios ou visitas, acompanhando-os a lugares que já havia visitado anteriormente. Para eles, seria como ir a Paris e não visitar a torre Eiffel ou deixar de fazer um passeio de "bateau mouche" pelo Sena, para quem nunca fez esses passeios.
              Por isso, tendo em vista o pouco tempo que meus acompanhantes tinham para ficar na Europa, preferi pegar um passeio de um dia, saindo de Paris e visitando apenas alguns castelos do vale do Loire. Esses passeios foram feitos pela Cityrama ou Paris Vision (francesas, com guias espanhóis) e a Duga's (brasileira, com guia brasileiro ou português). Entretanto, pode-se pegar um trem até Tours ou Orleans, ficar hospedado numa delas e pegar um táxi ou talvez algum "tour" local para visitar um número maior de castelos.
            Aqueles  que visitei foram Blois, Amboise, Chenonceau e Chambord.
 
AMBOISE
 
           Cidade medieval, fica situada numa das margens do rio Loire. Foi moradia de vários reis franceses e, a convite de Luís XII, ali perto instalou-se Leonardo da Vinci, no Clos Lucé. O castelo fica numa pequena elevação, à beira do rio, de onde se tem uma vista maravilhosa. Ali, logo na entrada, está o túmulo de Da Vinci. Andando-se mais uns 100 metros do lado de fora do castelo chegamos ao Clos Lucé, hoje um museu sobre a obra de Leonardo.
Castelo de Amboise
 
  

É uma visita muito bonita, parece que realmente voltamos no tempo, apreciando a obra maravilhosa de Leonardo da Vinci.
 

CHENONCEAU
 


            É outro castelo muito visitado da região. Fica no meio do rio Cher, um afluente do Loire. Disse no meio, porque, literalmente, ele foi construído dentro do rio.

Arredores de Chenonceau

 
              Chenonceau é também conhecido como o castelo das "sete damas", porque sua história está relacionada a sete mulheres de personalidade forte, entre elas duas rainhas da França. Foi dado de presente à Diane de Poitiers, amante do rei Henri II. Depois da morte do rei, em 1559, sua viúva e regente, Catarina de Médicis, despejou Diane do castelo, nele indo residir. Catarina fez várias benfeitorias e embelezou mais o local, fazendo ali a primeira exibição de fogos de artifício quando seu filho, Francisco II, assumiu o trono.
  
 
Chenonceau em 1851







Chenonceau atualmente


Chenonceau atualmente



CHAMBORD

            Talvez seja o maior, o mais imponente castelo da região.


                                                                                     


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Chambord






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Chambord


             Foi residência de caça do rei Francisco I, construído em estilo renascentista francês, que é uma combinação das formas medievais francesas e clássicas italianas. Sua construção durou de 1519 a 1549, sofrendo o projeto original várias modificações durante as obras. Francisco I, que morava em Amboise e quem trouxe Leonardo da Vinci para morar nessa cidade, teria pedido ao mestre italiano que esboçasse o projeto original. Um dos pontos principais da obra é a escada dupla em forma de hélice, que vai do térreo até o terceiro piso, sem nunca se encontrarem. Convém dar uma olhada no histórico do castelo na Wikipédia. É uma visita absolutamente imprescindível.
                
BLOIS
 
              O quarto castelo que visitei naquela região foi Blois. Fica às margens do rio Loire, numa pequena elevação, de onde se descortina uma vista maravilhosa da cidade. Foi residência de vários reis franceses e ali Joana d'Arc foi abençoada pelo bispo de Reims, antes de partir para conquistar a cidade de Orléans, então sob domínio inglês. Ali também foi assassinado Henrique I, o duque de Guise, por ordem do então rei Henrique II.
                   Entre os outros castelos da região, não tão belos como os acima descritos, estão Chinon, Aizy-le-Rideau e Cheverny. Chinon tem grande importância histórica pois foi ali que Joana d'Arc, depois de ter ouvido as vozes que a mandavam salvar a França, procurou o rei Carlos V, que ali se refugiava, dizendo ser a mensageira de Deus para derrotar os ingleses. Existem vários filmes sobre a vida de Joana d'Arc que contam esse episódio. Infelizmente, não tive tempo para visitar esses outros castelos dessa região tão rica sobre a história da França.

terça-feira, junho 09, 2015

O PAÍS BASCO

 

 

 
 

O PAÍS BASCO

 
 
Calfilho
 
 
 
           Uma das regiões mais bonitas e interessantes que visitei na França encontra-se no sudoeste do país, a região basca.
              Meu amigo francês,  Patrick Louet, disse-me que seus pais moravam numa cidade que faz fronteira com a Espanha, Saint Jean de Luz, convidando-me a visitá-la. Hospedei-me lá duas vezes, a primeira em setembro de 2011. Lembro-me bem dessa viagem, pois estava no quarto do hotel assistindo uma programação de TV, quando entrou no ar, ao vivo, o ataque às torres gêmeas em Nova York. Eram quase duas da tarde na França, havia acabado de almoçar, estava quase cochilando na cama, quando a primeira torre foi atingida. Recordo que, ainda meio sonolento, a princípio pensei que fosse um daqueles filmes americanos de ação  (na hora, lembrei-me bem de  um, a primeira versão de King Kong, onde o gorila aparece no alto do Empire State Building tentando pegar com as mãos os aviões que o atacavam). Mas, com os gritos histéricos e apavorados do locutor que narrava o episódio, vi logo que não se tratava de um filme. E, logo em seguida, o segundo avião atinge, ao vivo, a outra torre gêmea...
Igreja de São João Batista
 Praia de St. Jean de Luz
              Voltei a St. Jean alguns anos depois, não me lembro quando. A cidade é muito bonita. A igreja, construção antiga, tem como marco histórico o casamento de Luís XIV. Lá também residiu o famoso compositor Ravel, autor de "Bolero". A praia está coalhada de restaurantes, que servem, além da comida basca (principalmente pratos à base de carne de porco), uma variedade bastante grande de culinária, destacando-se os frutos do mar.
Cruz Basca
Cruz Basca
                A região basca compreende territórios na França e na Espanha e seus habitantes há muito tempo reivindicam a autonomia como país independente (a respeito, deve ser ressaltado o movimento revolucionário ETA). De St. Jean de Luz pode-se ir facilmente até a cidade espanhola de Irun, já que as duas são fronteiriças (entre elas ainda a pequena cidade de Hendaye, que é francesa). Na Espanha, as principais cidades são Bilbao, Vitoria, Pamplona e San Sebastian. Os bascos falam seu próprio idioma, os túmulos de seus parentes têm sua forma característica (a cruz basca), usam uma boina peculiar, têm sua própria pimenta, a espelete.Resultado de imagem para st. jean de luz

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Pimenta espelete
               De St. Jean pode-se pegar um ônibus ou o trem e visitar as cidades mais ao norte, ambas à beira-mar: a famosa Biarritz e Bayone. Bordeaux fica mais acima (nunca visitei, ali só fiz uma baldeação de trem).
              É outra região da França da qual guardo excelentes recordações.
 


domingo, junho 07, 2015

ALSÁCIA E ALPES

 

 

ALSÁCIA E ALPES

Calfilho
 
 
                A Alsácia é uma bela região da França. Fica no nordeste do país e, de Paris, chega-se até ela pela gare de l'Est.
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Catedral de Strasbourg
               Sua cidade principal é Estrasburgo (Strasbourg), cortada pelo rio Ill, afluente do Reno. É a capital da Alsácia, no departamento do Baixo Reno. Como fica próxima à fronteira com a Alemanha, logo que surge uma guerra entre os dois países ela é uma das primeiras a ser invadida pelos alemães, tornando-se parte desse país até ser retomada pela França. Isso aconteceu na guerra franco-prussiana, em meados do século XIX, depois nas primeira e segunda guerras mundiais, no século XX. A língua falada é a francesa, mas sofrendo forte influência do alemão. A culinária, também, é na sua grande maioria, composta de pratos alemães, como o chucrute, a salsicha, o joelho de porco defumado ou não, etc...
Estrasburgo possui uma das mais belas e imponentes catedrais da Europa (era a mais alta até 1870, quando foi suplantada pela de Colônia, na Alemanha).
Vista lateral da Catedral de Strasbourg
 
O magnífico relógio da Catedral









O rio que a corta ramifica-se em diversos canais, formando a "Petite France" que é um local onde as construções ficam diretamente sobre a água dos canais, como em Veneza. Existe um passeio de barco, tipo "bateau mouche", que parte em diversos horários de um embarcadouro ao lado da catedral. A estação de trem, totalmente remodelada, leva a diversas cidades, inclusive algumas da Alemanha, como Munique e Stutgart. Também ao lado da catedral parte um trenzinho de turismo que faz um belo passeio pela cidade. Em Estrasburgo já me hospedei em hotéis da Place Kleber, e, perto da estação (o que é mais cômodo, já que o centro da cidade não fica longe), no Bristol e no Mercure, da rede Accor. Perto da catedral existem numerosos restaurantes com culinária bem diversificada. Um bom vinho da região é o Pinot Noir.

Catedral de Strasbourg

             Na portaria do hotel peguei um passeio de um dia. Foi numa van, dirigida por um francês da região. Pegou-nos no hotel por volta das 9 da manhã e seguimos em direção ao Monte St. Odile. É um local religioso, no alto de uma montanha, de onde se descortina algumas cidades embaixo, bem como a maravilhosa floresta de Vosges. Lá existe um santuário, onde os habitantes locais e os visitantes veneram Santa Odile, a santa da região. Visitamos outras cidades quando descemos do monte, até chegarmos a Obernai. Pequena cidade com construções antigas, muitos bons restaurantes, uma igreja muito bonita. Pode-se chegar até lá também de trem, partindo da estação de Estrasburgo.
               Uma outra cidade onde se pode chegar de trem é Colmar, a uns 40 quilômetros de distância de Estrasburgo. Famosa por seus canais, como a Petite France, é conhecida como a "Petite Venice". Vale a pena a visita.
              Ainda na região, perto de Estrasburgo, estão as cidades de Reims (onde eram coroados os reis da França), Nancy e Mulhouse. Dessas, só conheço Reims, também conhecida como a terra do champagne. Essas cidades do nordeste da França, principalmente Estrasbourg, Colmar e Mulhouse, que ficam mais a leste, têm as montanhas dos Alpes a separá-las da Suíça. Descendo um pouco mais, em direção ao sudeste, vamos encontrar Annecy, uma joia de cidade, que tive a felicidade de visitar por duas vezes, nela me hospedando na última.
Annecy

A cidade é muito bonita, à beira de um enorme lago e, na parte antiga, também é cortada por vários canais, onde as casas foram construídas.
Annecy



Annecy



                  Annecy é uma visita que não se deve deixar de fazer, inclusive por sua culinária. Pode-se ficar hospedado em hotéis perto da estação, são dez minutos a pé até o centro da cidade.          
                 De Annecy, fazendo uma baldeação em St. Gervais, chega-se a Chamonix, na beira do Mont Blanc, nos Alpes.  
                Estive lá por duas vezes, hospedando-me no hotel Langley Gustavia, em frente à estação de trem. Sempre no mês de abril, quando já não havia neve na cidade. Mas, em volta da mesma, as montanhas dos Alpes, em especial  o famoso Mont Blanc, estavam cobertas de neve. O Langley é um hotel muito simpático, dirigido por suecos, com um restaurante anexo, junto à entrada.    
Chamonix

Chamonix

Chamonix
 
Chamonix

Chamonix



               Ali perto, em Aiguille Midi, existe um teleférico que leva até o alto de uma das montanhas. Não me atrevi a nele subir, acho que aprendi a conviver com as limitações que a idade me impôs. Mas, a estação de subida está sempre cheia de gente, pessoas carregando seus esquis e calçando botas pesadas para não escorregar na neve.
             Chamonix tem inúmeros restaurantes e bares com culinária variada e bebidas do mundo inteiro. Muita gente jovem, animada, que enche os bares até a madrugada, cantando músicas de seus países, já que a cidade é bastante visitada pelos amantes do esqui. É outra visita que não se deve deixar de fazer.
            Essas, as minhas impressões sobre algumas das cidades francesas que visitei no nordeste e leste da França.


sábado, junho 06, 2015

OUTRO BREVE INTERVALO...


 

 

RESTAURANTES, BISTROTS, BRASSERIESE E OUTROS LOCAIS ONDE SE PODE COMER OU BEBER NA FRANÇA...

 
 

Outro breve intervalo

 
 
Calfilho
 
 
                Não pretendia fazer este intervalo agora, mas, recebendo ontem um amável e-mail do meu prezado amigo Jorge Carrano, ex-presidente do Grêmio do Liceu Nilo Peçanha, no qual me solicita fazer a diferença entre restaurante, bistrot, brasserie, boulangerie e pâtisserie na França, decidi atender de imediato seu pedido.
                Devo logo esclarecer que não sou "expert" nessa matéria, para mim qualquer lugar em que me sente para comer está bom (desde que não seja Mac Donald's ou similar), não sou muito exigente em matéria de escolher a refeição, um bom prato de carne ou massa está bom, vou apenas deixar aqui minha impressão sobre os lugares em que almocei ou jantei nas minhas andanças pela França, tentando dar a minha impressão pessoal sobre o que acho que são as diferenças entre eles, a minha percepção sobre como os franceses distinguem um local do outro.
              Restaurante é um lugar mais fino, as mesas cobertas com toalhas e guardanapos de pano, os garçons trajados corretamente, havendo sempre um maitre solícito para nos atender. Os  melhores restaurantes não servem bebida se você não pedir uma refeição. Essa regra hoje não é tão absoluta, alguns restaurantes mais populares têm um espaço em que só servem bebidas (sem toalha nas mesas) e outro, mais reservado, onde servem a refeição acompanhada de uma bebida qualquer. Os autênticos restaurantes só abrem para o almoço (das 12 horas às 14 horas e 30 minutos) e jantar (das 19  às 22 horas). Com isso, eles economizam o turno de cozinheiros e garçons, que devem trabalhar seis horas por dia. Já os restaurantes mais populares costumam funcionar o dia inteiro, alguns desde às 7 da manhã até às 2 horas da madrugada seguinte. Aí, eles usam dois turnos de funcionários. Servem o café da manhã até às 11 horas, depois um aperitivo ou café para quem pretende apenas beber alguma coisa e ler o jornal em paz. Mais tarde, por volta das 12 horas, começam a servir o almoço que se prolonga até as três e meia, quatro horas da tarde, novamente um café ou aperitivo vespertino e, a partir das 18 horas, começam a servir o jantar, que às vezes vai até às duas da manhã, dependendo do movimento da casa. As casas de ostras, frutos do mar e peixes finos, em Paris, são apenas restaurantes. Já outras, que servem refeições variadas, à base de carne ou massa, mesmo que também sirvam algum tipo de peixe, são bares-restaurantes. No "Le Depart", costumo pedir uma costeleta de vitela à milanesa acompanhada de um vinho tinto, de preferência o Sancerre.
                 As brasseries são as cervejarias. Existem algumas em Paris, como a "La Gueuze", que têm em seu cardápio uma variedade enorme de cervejas. Até a Brahma brasileira, tipo exportação, lá é encontrada.  Servem apenas a bebida (geralmente, a cerveja, mas, também, o vinho ou algum destilado), ou a refeição acompanhada da bebida. No "La Gueuze" gosto de pedir um choucroute (joelho de porco com repolho cortado bem fino e em conserva) acompanhado de uma Guiness irlandesa. Os restaurantes mais populares (aqueles que servem bebida sem necessidade de acompanhar uma refeição) geralmente cobrem a mesa apenas com uma toalha de papel. Os guardanapos também são de papel.
                Já os bistrots são  ainda mais populares, correspondentes aos nossos botequins, onde se pode beber um bom vinho ou uma boa cerveja e beliscar algum tira gosto, ou comer uma refeição ligeira, geralmente o prato do dia, que vem descrito  a giz numa pedra de ardósia. Ali, bebe-se em pé junto ao balcão (comptoir) ou sentado, se for pedir uma refeição da ardósia. São mais simples que os restaurantes populares, a comida é tipo caseira, o  preço é bem mais barato.
                 As boulangeries são as nossas padarias. Lá vende-se o famoso pão francês (a "baguete", que pode ser inteira ou pela metade - a "demi") e outros tipos de pão. Algumas boulangeries vendem também alguns doces, o que é mais raro.
                  Finalmente, as "pâtisseries" vendem doces maravilhosos, tortas, bolos e outras guloseimas. Dificilmente vendem pão, e são muito procuradas para quem está em busca de um doce diferente, tipo mais artesanal.
                   Nas cidades do interior da França, dificilmente encontraremos um restaurante mais fino, como aqueles que existem em Paris. Em cidades como St. Malo, Estrasburgo, Deauville, Nice, Marselha, encontraremos quase sempre os restaurantes mais populares, que servem apenas bebida ou comida e bebida.
                   Devo ressaltar que esses restaurantes mais populares utilizam a "formule" ou o "menu", que consiste na escolha de uma entrada, um prato principal e uma sobremesa, entre as diversas opções oferecidas. O preço normal de uma refeição pela "formule" custa cerca de 25 a 30 euros, dependendo das opções.
                    Cada região da França tem seus pratos típicos, seguem eles a orientação da culinária local. Assim, nas cidades marinhas, o forte é a comida à base de frutos do mar, principalmente, as ostras e as "moules". No interior, alguns tipos de carne e, em regiões muito particulares, como a Alsácia, por exemplo, a culinária sofre forte influência alemã. Em Paris, tem-se de tudo, inclusive a comida asiática, grega e árabe. Também a italiana aparece com grande destaque, bem como a mexicana. Feijão brasileiro nunca comi lá fora, apesar de existirem algumas casas brasileiras, mas são mais casas de shows, não sei como é a comida.
                Infelizmente, e a cada ano que volto à França noto isso, as redes "fast food" americanas têm invadido fortemente o comércio de refeições na França. Dificilmente uma cidade francesa não tem uma lanchonete da Mac Donald's e, em Paris também existe a rede King's Burger. Isso acabou fazendo que uma das grandes tradições da França, o comer bem, fosse, pouco a pouco, caindo para segundo plano. Antigamente, um bom almoço francês demorava de três a quatro horas. Havia a entrada, um prato preliminar mais leve, o prato principal mais pesado, a degustação de queijos e a sobremesa. Cada um desses pratos era acompanhado de um tipo de bebida diferente. Hoje, além das redes de "fast food", nos bairros mais movimentados, você vê barraquinhas ou quiosques vendendo sanduíches prontos, sorvete artesanal, refrigerantes e sucos.
             Enfim... deve ser o progresso...
 
                
 
 
 

quarta-feira, junho 03, 2015

PROVENCE E CÔTE D'AZUR

 

 

PROVENCE E CÔTE D'AZUR...

Calfilho
                   Duas das regiões mais badaladas e visitadas da França são a Provence e a Côte d'Azur. Na verdade é uma só região, a Provence, que vai desde a cidade de Aix-em-Provence até Nice. Mas, alguns preferem destacar a importância da Côte d'Azur, a Riviera francesa, como uma região autônoma, por sua exposição e por ser palco de tantos acontecimentos famosos que marcaram a história da França.
                    Vou tentar relatar minha experiência em relação às cidades que visitei, em algumas ficando hospedado, em outras em rápidos passeios de um dia de duração. Perdoem-me se não separar perfeitamente uma região da outra, porque até geograficamente elas se confundem.
                    As principais cidades são: Aix-en-Provence, Arles, St. Remy de Provence, Avignon, Cannes, Luberon, Marseille, Nice, St. Tropez, St. Paul de Vence, Grasse, St. Raphael. Umas no litoral, à beira-mar; outras, mais para o interior.
                 AVIGNON
                Já me hospedei em Avignon por duas vezes e, até por coincidência, sem disso saber, na época da festa da colheita da uva, no mês de outubro. Avignon é cortada pelo rio Rhone, e naquela região se produz um dos vinhos tintos mais populares da França: o Côte de Rhone. Fica no departamento (no Brasil, mais ou menos o correspondente aos nossos  "estados") de Vaucluse. Foi residência dos papas da igreja católica, pois alguns deles lá residiram, entre 1309 e 1377. Lá foi construído um prédio muito bonito, justamente para a residência dos papas, denominado Palácio dos Papas (Palais des Papes).
                A cidade é pequena, com muitos prédios antigos, cercada por uma grande muralha, que não fica muito visível como em St. Malo porque Avignon é bem maior e a muralha fica um pouco distante do centro da cidade. Em outubro, a praça principal fica repleta de barraquinhas vendendo produtos da região. Nas mesas dos restaurantes, nessa ocasião, os produtores de vinho chegam até os fregueses que fazem sua refeição e oferecem uma taça de vinho da sua produção para degustação.
                Um outro local digno de interesse é a Ponte Quebrada ("Le pont cassé" -- não esquecer que ponte em francês é substantivo masculino e não feminino, como em português), que, começando numa margem do Rhone, é interrompida no meio do rio. Foi construída no século XII, reconstruída várias vezes, e, após uma grande enchente, em 1660, ficou do jeito que está hoje.
                Para chegar a Avignon partindo de Paris o melhor meio de transporte é o TGV, partindo da gare de Lyon. São pouco mais de duas horas e meia até a estação Avignon-TGV, que fica fora da cidade. Dela, você pode pegar um trem regional que leva até a estação Avignon Centre, que é a antiga estação, já dentro das muralhas, ou pegar um táxi, nem sempre muito fácil de encontrar.
                 Em Avignon, fiquei hospedado no hotel de l'Horloge, em frente à praça do mesmo nome, onde se realiza a festa da colheita da uva. Não é caro, preço de um hotel de 3 estrelas no interior da França.
                 Na pequena rodoviária da cidade, que fica ao lado da antiga estação de trem, peguei um ônibus para Saint Rémy de Provence, seguindo orientação que me foi dada por um funcionário do escritório de turismo de Avignon. Viagem de aproximadamente 45 minutos, que valeu a pena.
                Saint Rémy se assemelha a várias cidades do interior francês. Uma pracinha, uma igreja, o edifício da prefeitura, ruas estreitas, arquitetura antiga. Há um pequeno museu sobre Van Gogh, que ali morou algum tempo. Almoçamos num restaurante local uma deliciosa refeição regional.
              Ainda da estação central de Avignon (a antiga) pode-se ir até Arles, outra cidade onde morou Van Gogh e, onde, se não estou enganado, ele cortou a própria orelha depois de um desentendimento com Gauguin. Desse período em Arles, onde a loucura de Van Gogh se tornou mais aguda, foram pintados alguns de seus melhores quadros. Infelizmente, não cheguei a visitar Arles.
MARSEILLE 
           Uma das cidades de que mais gosto na França, apesar de ser mal vista por muitos, por ter fama de ser reduto de contrabandistas, de gente da máfia. Já estive lá umas cinco ou seis vezes e, pelo menos aparentemente, não percebi nenhum perigo em andar por suas ruas. Claro que, como todo carioca, sempre andei prevenido contra qualquer incidente desagradável, bem como evitei sair das redondezas do hotel muito tarde à noite. Mas, a cidade é poderosa, dá-nos a impressão de que é dominada por uma atmosfera de mistério, até mesmo de sedução. Perto do "Vieux Port", onde me hospedei algumas vezes no muito bom hotel "Résidence", fica o movimento maior da cidade, com vários restaurantes com mesas do lado de fora, nas calçadas, e o antigo porto de onde atualmente partem barcos de turismo para passeios no mar e para o Château d'If (celebrizado por Alexandre Dumas, no famoso "O Conde de Monte Cristo", por ter sido a prisão de onde escapou Edmond Dantés, o herói de seu livro).
              A avenida principal, a Canabíére, leva do "Vieux Port" até a estação de trem Marseille-St. Charles. As ruas que a cortam são repletas de lojas e restaurantes. Os marselheses têm muito orgulhos do seu time de futebol, o Olympique. Aliás, em 1998, o segundo jogo do Brasil que eu e meu filho assistimos foi justamente em Marseille, contra a Noruega.
              Do calçadão em frente ao "Vieux Port" parte um trenzinho de turismo, muito comum nas cidades do interior da França. Ele faz um tour de uma hora pela cidade, inclusive te levando ao ponto turístico principal, a catedral de Notre Dame de la Garde, que, do alto de uma colina, parece proteger a cidade.
                Da estação de trem poderemos ir até Aix-en-Provence, outra típica cidade interiorana francesa. A "gare", a igreja, uma larga avenida principal, por onde só circulam pedestres, um belíssimo chafariz, e muitas ruas estreitas onde fervilha um comércio de quase tudo. E, como costumamos encontrar em outras cidades da Europa, lá também estão as tradicionais feiras de domingo, muito semelhantes às nossas feiras do Brasil, onde se vende também quase tudo, inclusive, artigos perecíveis, como carne de porco, peixe, queijos, etc... Tudo muito limpo, quase sempre já embalado em sacos plásticos, pois lá a fiscalização sanitária é bastante rigorosa.
               Aix-en-Provence fica a uns 40 minutos de Marseille e vale a pena uma visita.
NICE
               É outra das grandes cidades da região onde fiquei hospedado várias vezes.
                Bons hotéis, bons restaurantes, excelente cidade que podemos fazer de pião para conhecermos outras menores que ficam por perto. Já fiquei lá por umas seis vezes, gosto de me hospedar no hotel Gounod, que fica na rua do mesmo nome, a meio caminho da estação de trem e o centro da cidade. O preço é o habitual para hotéis de três ou duas estrelas: entre 110 e 150 euros, dependendo da época em que vai se hospedar, da duração da hospedagem, etc...
            Saindo do hotel, podemos pegar a continuação da rua Gounod (que muda de nome no próximo quarteirão, passando a chamar-se rua Meyerbeer) em direção à praia, o Promenade des Anglais. Uns três quarteirões abaixo está a rua de France, a principal rua de pedestres e do movimento maior da cidade. Dobramos à esquerda e vamos procurar um lugar para almoçar. Deixo de indicar algum em especial, pois são vários aqueles em que almocei ou jantei, todos eles excelentes e a preços razoáveis.
               Bem, seguindo pela rua de France até ela terminar, chegaremos até a rua Massena, sua continuação e, um pouco mais a frente, à direita, chegaremos à parte velha da cidade, o "Vieux Nice". Antes de entrarmos em suas ruas estreitas e sinuosas, divisamos a estação rodoviária, de tamanho médio, onde poderemos pegar ônibus para várias cidades vizinhas, inclusive para algumas da Itália.
                Ingressando na parte velha, o mesmo cenário de outras cidades francesas: uma quantidade enorme de lojas que vendem uma variedade enorme de mercadorias, muitos restaurantes típicos, cuja especialidade são os frutos do mar, muitos prédios antigos que insistem em permanecer em pé, e, surpreendentemente, bem conservados. Uma visita que, realmente, não se deve deixar de fazer.
              Na rodoviária, podemos pegar um ônibus que nos leve a Saint Paul de Vence, uma pequena cidade medieval, escondida num dos morros da região. É um Mont Saint Michel mais espalhado, as muralhas que a cercam, as ruas estreitas, os pequenos hotéis, os restaurantes, as lojinhas de souvenir. A viagem demora uns trinta minutos aproximadamente. Descemos do ônibus na estrada, fora da cidade e o pegamos de volta no mesmo lugar, só que em sentido inverso.
             Também na rodoviária (ou mesmo na estação de trem), existe transporte para Grasse, outra cidade conhecida da região, famosa por suas flores que dão origem aos não menos famosos perfumes franceses (veja-se, a respeito, o filme sobre a vida de Coco Chanel). Infelizmente, não cheguei a conhecê-la.
                   Na praia de Nice, no Promenade des Anglais (muito bonito, por sinal, ao contrário da praia propriamente dita, cuja areia nem de longe se assemelha à das praias brasileiras), pode-se também pegar um desses trenzinhos de turismo que faz o percurso pela cidade velha ("Vieux Nice") e sobe até um castelo que fica em cima de um morro, no fim (ou começo) da praia. Lá de cima tem-se uma vista maravilhosa da cidade.
                    Da estação de trem pode-se ir até o Principado de Mônaco (Monte Carlo), que vale realmente um dia de visita. Ali, pode-se curtir o charme dessa cidade badalada no mundo inteiro, passear pelas ruas do circuito de Fórmula 1, caminhar em frente ao Cassino famoso (nunca entrei, meu cacife não dá para tanto), visitar o Palácio do príncipe Albert, comprar um souvenir em muitas de suas lojinhas, almoçar num bom restaurante. 30 minutos de viagem, da estação de Nice até a de Mônaco.
              Também de trem, pode-se ir até Ventimiglia, já na Itália, pequena cidade da Riviera Italiana, a primeira delas depois da fronteira. Achei a cidade muito atraente, desde a primeira vez em que por lá passei. Decidi ficar hospedado para conhecê-la melhor, o que fiz depois por mais três ou quatro vezes. A cidade é muito simpática, pequena, um pouco francesa, um pouco italiana, tem uma praia muito bonita, restaurantes de culinárias variadas. Hospedei-me lá no Hotel Sol e Mare, cujos quartos são todos de frente para o mar. De Nice até Ventimiglia são 40 minutos de trem.
                Ainda sobre aquela região podemos falar de Cannes, St. Raphael, St. Tropez, cidades bastante conhecidas no mundo inteiro, mas que só por elas passei sem ficar, quando ia de Nice a Paris ou vice-versa.

 

 

segunda-feira, junho 01, 2015

A N0RMANDIA

A NORMANDIA

DE CHERBOURG A HONFLEUR...
 
 
 
Calfilho
 
 
                        Pouco acima do Monte Saint Michel, onde termina a Bretanha, começa a Normandia. Tendo o Canal da Mancha a separá-la da Inglaterra (como também a Bretanha), é uma das regiões mais bonitas e badaladas da França. Ficou ainda mais famosa depois da Segunda Guerra Mundial, pois em muitas de suas praias ocorreram os desembarques das forças aliadas enviadas da Grã Bretanha para a libertação da França e a derrota da Alemanha nazista.
                         Para a Normandia, pega-se o trem, que não é o TGV, mas é também rápido, na gare St. Lazare. Dali, além de Cherbourg e Trouville/Deauville, partem trens que vão a Rouen, Versailles, Pontoise e outras.
                         Só fiquei hospedado em Cherbourg, Deauville e Honfleur, dentre as cidades da Normandia. Mas, fiz vários passeios pela região, que me permitiram conhecer, mesmo que não a fundo, outros locais da região, tão famosa por ter sido a porta de entrada das forças aliadas no Dia D (6 de junho de 1944).
                         Rouen, no interior, no curso do Sena que segue em direção ao mar, é famosa por ter sido a cidade onde Joana d'Arc foi queimada. Pode-se visitar o local onde a fogueira foi erguida, perto de um pequeno museu em homenagem à Santa idolatrada pelos franceses. A cidade, como quase todas as cidades da "Province" francesa ("Province", para eles, significa interior; não confundir com "Provence", que é uma outra região na Costa Azul) tem preservada sua parte antiga que coexiste com o lado moderno. Na parte antiga, onde existem várias pequenas ruas a serem percorridas, vale a pena visitar a Catedral, o Relógio Dourado e o Hotel de Bourgtheroulde (um bonito prédio medieval). Fica tudo perto saindo da estação de trem, pode-se fazer o trajeto a pé.
                        Na mesma linha de trem, antes de chegar a Rouen, podemos dar uma pequena parada em Vernon, onde pegamos um ônibus que nos leva a Giverny, a oito minutos da estação. Giverny é famosa por ter sido a derradeira cidade onde morou Claude Monet, que ali construiu sua casa, dentro de um imenso e maravilhoso jardim, onde pontificam as "nymphéas", espalhadas em seus bem tratados lagos. As pinturas sobre as "nymphéas" encontram-se no museu de l'Orangerie, em Paris, no Jardim das Tulherias.
                         Pegando outro trem, na mesma estação Saint Lazare, em Paris, vamos visitar Cherbourg. Cidade pequena, com uma parte antiga que merece ser visitada e, por ser um porto, foi uma das cidades dominadas pelos nazistas e uma daquelas escolhidas pelos aliados para o desembarque de 6 de junho.
                          Pegamos um táxi (não sei se existe algum serviço de ônibus que faça esse percurso) dirigimo-nos até Sainte Mére Église, que fica a uns 35 quilômetros de Cherbourg. Essa cidade tornou-se famosa porque, na madrugada do dia 6 de junho, antes do desembarque por terra, os paraquedistas americanos da 101ª. Divisão aero terrestre (os "Air bones") ali chegaram, como também nas cidades vizinhas junto com paraquedistas ingleses, canadenses e franceses, por trás das linhas alemães, tentando preparar o terreno para o desembarque das tropas vindas da Inglaterra, o que ocorreria quando o dia clareasse.
                         Famosa é a foto do paraquedista americano que ficou preso na torre da igreja, enquanto os alemães, em terra, disparavam contra os outros seus colegas que desciam de paraquedas. Esse episódio, a descida dos americanos via paraquedas na costa da Normandia, ficou bem gravado em dois filmes imperdíveis: uma série da HBO denominada "Band of Brothers" e um mais antigo "O mais longo dos dias", com John Wayne, Robert Mitchum. Henri Fonda, Sean Connery e tantos outros artistas famosos.
Paraquedista americano na torre da igreja de Sainte Mére Église
Atualmente, para atrair turistas e, ao mesmo tempo talvez para não esquecerem os terríveis momentos que seus antepassados viveram, os habitantes locais penduraram um paraquedas com um boneco vestido de soldado, imitando a cena ocorrida na madrugada de 6 de junho de 1944.
Ao lado da pracinha onde fica a igreja existe um excelente museu sobre o dia do desembarque. Talvez não seja o melhor museu sobre a matéria (dizem que em CAEN há um mais completo), mas ele retrata bem a angústia daqueles momentos que precederam a libertação da França.

Museu do Air Bone
Sainte Mére Église

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
                  Também partindo da gare Saint Lazare, em Paris, outro trem nos leva a uma bela cidade da Normandia: Deauville. O ponto final é a cidade de Trouville, mas Deauville fica ao lado, é só atravessar uma pequena ponte que separa as duas cidades.
                   Enquanto Trouville é uma cidade mais pobre, mais proletária, Deauville é só sofisticação, luxo e ostentação. Seus hotéis são quase todos de quatro e cinco estrelas (achei um de três, o Continental). A cidade é palco de festivais de cinema, em suas praias existem várias barracas onde os turistas que pretendem passar um dia ao sol e tomar um banho de mar podem trocar de roupa. Seus restaurantes (assim como os de Trouville) são muito bons, comida excelente, tendo os frutos do mar como prato principal.
                   Ao lado da estação de Trouville existe um pequeno quiosque onde se pode comprar um bilhete para o ônibus que nos leva a Honfleur. Esta é uma cidade que tem a pesca como atividade principal (hoje nem tanto), pequena, atraente, aconchegante. Seus restaurantes também são esplêndidos, ali se pode degustar ostras enormes e "moules" deliciosos. Ficamos num hotel acolhedor , o "Cheval Blanc", na beira do porto. E, nesse local, pode-se pegar um barco de turismo que faz o passeio pela região, passando sob uma ponte enorme, construída há pouco tempo, já perto do porto do Havre.
                   Há uns seis, sete anos atrás, estávamos em Honfleur quando um ex-colega de turma da magistratura, na época já desembargador, estava também na região e entrou em contato comigo. Depois de um lauto jantar, ele sugeriu alugar um carro para explorarmos a região das praias do desembarque. Como era ele que iria dirigir, concordamos (nunca dirigi no exterior e nem gostaria). Compramos um mapa da região e, como eu já conhecia Sainte Mére Église de uma viagem anterior, tudo ficou mais fácil. Saímos de Honfleur e, sempre em estradas à beira-mar, passamos por Deauville, Coleville (nome de código OMAHA), Contentin,  no estuário de Carentan (codinome UTAH), Courseulles-sur-mer, Bènieres, Saint-Aubin (codinome JUNO), La Rivière, Le Hamel, Arromanches (codinome (GOLD), Lion-sur-mer, Ouistreham na boca do Rio Orne, já perto de Caen, que fica mais no interior (codinome SWORD e Pointe du Hoc, que tem o mesmo codinome e é uma falésia entre as praias de Omaha e Utah. Os aliados codificaram os nomes das praias para que os nazistas não pudessem identificar onde seria realizado o desembarque. Finalmente, chegamos a Sainte Mère Église. Almoçamos na cidade e só retornamos no fim do dia.
                 A Normandia também é bastante conhecida pelos queijos que fabrica, como o Pont l'Éveque, bem como por sua bebida característica, o Calvados, uma espécie conhaque de maçã.
                Uma cidade que não visitei, mas que atraiu minha curiosidade, é Lisieux, que é ponto de parada do trem que nos leva a Deauville ou Cherbourg. Tem um catedral maravilhosa, parecida com a Salute, de Veneza, no alto de um morro, podendo ser divisada da janela do trem.
                  Ainda também na Normandia, talvez a principal cidade da época da guerra tenha sido Caen (pronuncia-se CAN, não perguntem por quê, pois nem Patrick soube me explicar). Não a conheci, por ela só passei.
                   Foram estas minhas impressões sobre a Normandia, região da França que vale a pena visitar.